top of page

Edições Portuguesas

Cartas de amor para meninas mal comportadas

Eliana N’Zualo

Urutau, junho de 2025

Cartas de amor para meninas mal comportadas

A primeira vez que fiz amor com uma mulher

Despertei com os gritos dela de alívio,

Um silêncio alto de suplício

Afinal era apenas o início.


Das suas pernas escorriam lágrimas de um dilúvio,

Ela era a nascente de uma nova guerra,

E eu aprendia a distinguir o mar da terra.

…

(Virgem, página 15)

_sobre este livro


Querida L.,


Ao escolher o encontro que essas páginas provocam, talvez você não saia ilesa. O tempo é malandro, quase nunca antecipa o que destruirá ao chegar. Mas o tempo sempre chega e a escolha do encontro é sua.


Eu própria, L., já conhecia essas Cartas de amor para meninas mal comportadas desde o nascimento das primeiras linhas. Foi no Núcleo de Dramaturgia Feminista, conduzido por mim online em plena pandemia de 2020, que o desenho deste encontro começou a pressionar o contorno da folha em branco. Podia dizer a você: “conhecer protege”. Mas não é verdade. O encontro, quando tem acontecimento, é inexorável.


Eliana N’Zualo é bem humorada e isso é perigoso. Ela é um corpo em movimento e faz essas cartas viverem – e assisti a uma prova disso em Lisboa anos depois dos primeiros versos dessas cartas, por isso posso dizer com propriedade.


Veja L., eu não saí ilesa a essa leitura mesmo depois de ter certa intimidade com o texto. Seria muito inocente da sua parte achar que sairá a mesma pessoa depois de colocar cada uma dessas palavras para dentro de você. Veja bem: estamos falando da força de uma poção mágica “Feita das placentas/ Daquelas que enterravam /Os nossos umbigos/ Onde os pudéssemos encontrar,/ Para sabermos sempre /Onde era o nosso lar.”.


Talvez L., depois dessa leitura você saiba para onde voltar. Talvez não tenha volta. Talvez o tempo seja malandro com você.


De qualquer forma, há um acontecimento neste livro L., a sua escolha em provocá-lo é um partir para dentro de si. E, diz Eliana: “As dores de partir/ São as mesmas que nascer:/ Agudas e teimosas.”

Boa leitura.


Bom nascimento, L.

Com amor,


Maria Giulia Pinheiro



© 2018 - 2026 por Arquivo Sáfico.

bottom of page