- Arquivo Sáfico

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No dia 29 de Janeiro de 2026 celebrou-se o 1.º International Rebel Dykes Day. Em Portugal seria o equivalente a Dia das Fufas Rebeldes, mas também há quem use Dia das Lésbicas Rebeldes.
A data escolhida marca a abertura do legendário club dyke fetichista "Chain Reaction", a 29 de janeiro de 1987 (Londres). Siobhan Fahey, produtora do documentário "Rebel Dykes" e fundadora da "Riot Productions", atribuiu ao Chain Reaction o mérito de ter proporcionado às lésbicas um local para se reunirem e formarem uma comunidade.
As Rebel Dykes lançaram o desafio na sua página do instagram, a dia 29 de janeiro de 2025, de criar e celebrar o International Rebel Dykes Day pela primeira vez em 2026, que é sobre celebrar a história das dykes e das Rebel Dykes em todos os lugares e sobre o que já está a acontecer com as dykes ao redor do mundo: os passeios de moto, os clubes, os protestos, a arte, a música, o caos, a alegria.
Portugal aceitou este desafio, através da Associação ILGA Portugal, que no dia 29 de Janeiro de 2026 exibiu o documentário "Rebel Dykes" no Centro LGBTI+, como parte da programação oficial deste dia. Na programação partilhada pela página das Rebel Dykes estão incluídos eventos em 5 países: Reino Unido, Tailândia, Escócia, Portugal e Bulgária.
No post conjunto da @ilgaportugal e @rebeldykes podemos ler que o International Rebel Dykes Day é um novo dia global para celebrar a história, a cultura, a resistência, a alegria - e a rebeldia dyke, e também temos as seguintes respostas:
O que é o International Rebel Dykes Day?
Uma celebração global das Rebel Dykes - passado, presente e futuro. Um dia para homenagear comunidades dykes que criaram cultura, ocuparam espaços e se recusaram a comportar-se.
Por que criar esse dia agora?
Porque a história dyke está a ser redescoberta, reativada e reinventada no mundo todo. Isto não é nostalgia - é um movimento vivo e em crescimento.
Por que 29 de janeiro?
29 de janeiro marca o aniversário da primeira noite noite do clube Chain Reaction quando dykes ocuparam espaço de forma barulhenta, orgulhosa e sem pedir permissão.
O que foi o Chain Reaction?
Um lendário clube fetichista dyke em Londres que se tornou uma faísca cultural. DIY (Do it yourself/ faça você mesme), político, teatral alegre - e formador de comunidade antes mesmo de existirem palavras para isso.
Quem são as Rebel Dykes?
Não são um estereótipo - são comunidades. Punks, bikers, butches, femmes, artistas, ativistas, trabalhadoras do sexo, organizadoras, lutadoras. Criaram cultura onde nada havia sido oferecido. E continuam aqui.
Um Renascimento Dyke Global
No mundo inteiro, dykes estão criando festas, Dyke Marches, arquivos, zines e novas cenas culturais. É global. DIY. Intergeracional. Político. Alegre. E está longe de acabar.
O que é o filme REBEL DYKES?
Um documentário premiado de 2021, dirigido por Harri Shanahan e Siân A. Williams, que conta a história do Chain Reaction, do movimento Rebel Dykes e do seu impacto duradouro. O filme está disponível para streaming em todo o mundo (veja o link na bio do Instagram @rebeldykes).
O post, de 23 de janeiro, também explica como apoiar o International Rebel Dykes Day 2026, através da partilha, da organização de eventos, do apoio a artistas, arquivos e espaços dykes, do uso da hashtag #internationalrebeldykesday e do planeamento de algo ainda maior para o próximo ano!
Fui ver o documentário ao Centro LGBTI+ e foi espetacular! O Centro estava cheio. As histórias que vimos são incríveis e dão-nos uma série de referências de pessoas, eventos, protestos, locais, zines, músicas, tudo à volta deste movimento.
Deixo aqui uma lista com algumas dessas referências:
Músicas:
I Hate Being in Love (Amy And The Angels)
He Called Me A Fat Pig (The Renees)
Life-No (the Petticoats)
Statement (The Poinson Girls)
Drink Problem (The Gymslips)
Rainforest (Strange Language)
Genocide (Sluts from Outer Space)
That's Why (Mouth Almighty)
Sister George (Sister George)
Queer Riot (Sluts from Outer Space)
Primal Bond (Tapanda Re)
Soray (Tapanda Re)
Wrapped Up in Sex (Mouth Almighty)
Rococo Subversive (Sister George)
Nicolette The Gigolette (The Darlings)
Riot In My Mind (The Poison Girls)
Handle Bar/Drag King (Sister George)
No Love Lost (Mouth Almighty)
Virus Envy (Sister George)
News Bong (John Tatlock)
Trouble (The Well Oiled Sisters)
Dive In Me (Nightnurse)
I Ride (Ran Shahi e Ellyott)
Baby's Been Sleeping in the Knifedrawer (The Brendas)
Dreams (The Petticoats)
Remember Me (Mouth Almighty)
Skirt (Nightnurse e Charley Stone)
Revistas/Livros:
Quim (Revista)
Love Bites (Livro fotográfico)
The Joy of Lesbian Sex (Livro)
On Our Backs (Revista)
Locais/Serviços:
Chain Reaction (S&M Club, Market Tavern in Vauxhall, Londres)
Greenham Common Women's Peace Camp (1981 - 2000)
Lesbian Line (Para onde ligaram a pedir informações, como por exemplo quais eram os bares lésbicos de Londres)
South London Women's Centre (Brixton)
Gateways (Club lésbico secreto, criado nos anos 50)
Kenric Society (Bar/Club Lésbico)
The Bell (Bar/Club Lésbico)
Fabrik (Centro Cultural, Hamburgo, Alemanha)
Extasy (club na Finlândia)
Good Vibrations (Sexshop)
Sh! (Sexshop)
Thrilling Bits (Serviço clandestino de venda de Sextoys)
Silver Moon Women's Bookshop
Sisterwrite (Livraria)
Gay's The Word (Livraria LGBTI+ mais antiga do Reino Unido)
Switchboard Support Line
Friend Support Line
London Friend (A instituição de solidariedade LGBTI+ mais antiga do Reino Unido).
Coletivos/grupos:
Sistermatic (Duo Sound system)
Black Widows (Grupo de Motards Lésbicas)
The Sleeze Sisters (Grupo Musical)
Mouth Almighty (banda)
Rennes (banda)
Sluts from outer space (banda)
WAVAW (Women Against Violence Against Women) (Grupo de mulheres contra as Rebel Dykes da cena S&M)
The Stonewall Group
Act Up - AIDS Coalition to Unleash Power
Mulheres/Pessoas entrevistadas:
Debbie Smith
Karen Fisch
Atalanta Kernick
Maj Ikle
Susannah Bowyer
Roz Kaveney
Aphra
Jo
Seija Hirstio
Siobhan
Yvonne Taylor
Pom
Trill
Poulomi Usurp Desai
Rosanne Rabinowitz
Baya
Seija
Del La Grace Volcano
Lulu Belliveau
Lisa Power
Billy
Sophie
Jim McSweenwy
Ações/Protestos:
Marcha contra a censura do Livro Love Bites
Names Project, na marcha de Washington 87'
Marchas contra a "Section 28"
Invasão a um debate na House of Lords
Invasão da "Six O'Clock News" na BBC
Se derem conta de algo que esteja a faltar nas listas acima, informem!
A certa altura do documentário foi mencionada uma "Lesbian Line" para onde ligavam para saber onde eram os bares lésbicos em Londres. Em Portugal nem bares lésbicos, quanto mais uma linha telefónica para informar dos mesmos. Ou será que há mas como não há linha lésbica, não sabemos quais são? 😭😅
E desse lado? Viram o documentário? Que acharam? Que gostaram mais de descobrir? Deixem as vossas respostas nos comentários! 😁
PS: Sabiam que a nossa primeira zine lésbica, a Organa, também tinha um serviço de venda de sextoys e outros produtos lésbicos (livros, filmes, etc.) ?? Hei de vos mostrar o catálogo num dos próximos posts. 😝







