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  • Foto do escritor: Arquivo Sáfico
    Arquivo Sáfico
  • há 6 dias
  • 6 min de leitura

Recentemente veio a público que o CH, PSD e CDS-PP apresentaram, respetivamente, 3 projetos de lei de cariz transfóbico, que pretendem reverter os direitos de autodeterminação das pessoas trans em Portugal e que agendaram a a discussão em plenário destes projetos para dia 19 de março.

Os projetos, bem como os partidos e as pessoas que os submeteram, podem ser consultados abaixo, nos respetivos links, e as descrições e conteúdos dos mesmos são abjetos:


Projeto de Lei 391/XVII/1 (CH) - 2026-01-21 "Actualiza a regulação do procedimento de mudança de sexo e de nome próprio no registo civil, em particular no que diz respeito à protecção das crianças e jovens, à luz da evidência científica mais recente e em consonância com os princípios da bioética e da dignidade da pessoa humana"


"Altera o regime jurídico de mudança de sexo e de nome próprio no registo civil"


Projeto de Lei 479/XVII/1 - (CDS-PP) - 2026-03-06

"Protege a integridade das crianças e proíbe a utilização de bloqueadores da puberdade e/ou terapia hormonal no tratamento da incongruência ou disforia de género em menores de 18 anos"



Num país em profunda crise de habitação, e com inúmeros problemas nos sistemas de saúde, justiça e educação, as prioridades de quem nos governa passam por atacar e reverter direitos às pessoas trans. A história repete-se. As guerras e as ditaduras sempre passaram por aqui. Proibições à autodeterminação, ao vestuário, às relações das pessoas LGBTI+. Sempre servimos de bode expiatório para distrair do demais. Começando sempre pelos direitos mais vulneráveis, das pessoas trans, e indo por aí em diante até atingir toda a população, e nem sequer apenas a nossa comunidade. Mais do que nunca é necessário que todas as pessoas, da comunidade e aliadas, se unam e se façam ouvir nesta luta.


Também recentemente vieram a público os dois projetos de lei do CDS-PP [Projeto de Lei 255/XVII/1 - Entrada a 2025-10-10] e CH [Projeto de Lei 418/XVII/1 - Entrada a 2026-02-13] que visam proibir bandeiras "ideológicas" em edifícios públicos. Aparentemente os nossos políticos não têm mais nada que fazer e dedicam a sua vida a perseguir-nos.


Os nossos media também são "fantásticos" com os seus títulos ridículos "Trans reacendem choque político no Parlamento" . Não foram as pessoas Trans que reacenderam coisa nenhuma, foram os partidos transfóbicos que decidiram ter como missão atacar pessoas trans em vez de usarem esse tempo para fazerem algo de útil para o país. As pessoas Trans querem viver a sua vida em paz e sossego e não ser alvo de incendiários que estão constantemente a pôr a sua existência, dignidade e direitos em risco.


Em resposta a este vil ataque aos direitos das pessoas trans, foi realizado um comunicado conjunto pelas Associações rede ex aequo, ILGA Portugal, AMPLOS, Casa Qui e Opus Diversidades, a que podem aceder e subscrever aqui, que também deixo transcrito:



Comunicado "A nossa autonomia não é debatível"

O CH, PSD e CDS-PP agendaram para dia 19 de março a discussão em plenário de 3 projetos de lei que constituem um ataque aos direitos de pessoas trans e intersexo, visando:

  • A revogação do reconhecimento legal do nome e identidade de género de forma autodeterminada por pessoas trans, obrigando à existência de um diagnóstico médico de “perturbação de identidade de género”. Este diagnóstico, para além de ser patologizante e desatualizado, implica comprovar quem se é. Atualmente, o reconhecimento da identidade de género e nome é autodeterminado perante o Registo Civil, sendo apenas um processo administrativo. 

  • A proibição do reconhecimento legal do nome e identidade de género em jovens entre os 16 e 18 anos de idade, sendo apenas permitida após os 18 anos. Atualmente, nestas idades, o processo só pode ser feito com consentimento parental e um relatório médico que ateste capacidade de decisão e vontade informada da pessoa jovem.

  • A revogação da proteção em relação ao nome e identidade de género quando esta não corresponde aos documentos legais. Atualmente, possibilita que jovens menores de 16 anos, pessoas residentes em Portugal sem nacionalidade portuguesa e pessoas que não se identificam no marcador binário tenham o seu nome (social) e identidade de género protegidos, mesmo sem alteração efetiva no documento de identificação.

  • A revogação de medidas afirmativas que garantem o bem-estar de crianças e jovens trans nas escolas, como o reconhecimento do nome escolhido. Também se bane a sensibilização sobre temas LGBTI+ e iniciativas LGBTI+ afirmativas e não-discriminatórias. Atualmente, compete às escolas garantir o bem-estar e não-discriminação através da implementação de medidas, incluindo na Educação para a Cidadania e Educação para a Sexualidade, sendo a protecção contra a discriminação pela identidade de género garantida pelo Estatuto do Aluno e Ética Escolar (Lei n.º 51/2012).

  • A proibição de procedimentos medicamente sãos, como o uso de bloqueadores hormonais por adolescentes trans. Legislando estes procedimentos, o Estado intromete-se no ato médico, que deve depender de boas-práticas, da ponderação do risco-benefício casuístico e do que a pessoa médica considera ser mais indicado para a pessoa de quem cuida. Na realidade, os bloqueadores hormonais só são usados quando prescritos por serem necessários, e têm efeitos totalmente ou parcialmente reversíveis. A prescrição de bloqueadores, cumpre o parecer e as indicações médicas relativas à pessoa jovem utente e exige, ainda, o consentimento parental e a vontade expressa da pessoa menor.

  • A permissão de procedimentos medicamente desnecessários de modificação do corpo e características sexuais a crianças intersexo (ex. mutilação genital). Ao contrário da prescrição dos bloqueadores hormonais em jovens trans, estes procedimentos vão contra as orientações e boas-práticas médicas internacionais, pois são realizados sem vontade expressa da pessoa menor e têm, frequentemente, consequências nefastas para a sua saúde física e mental (ex. infeções, dor crónica, perda de sensação erógena, esterilização forçada). Atualmente, estes procedimentos são proibidos.


Estas iniciativas representam um retrocesso para todas as pessoas trans e intersexo e um ataque à integridade e autonomia individual e corporal de todas as pessoas. Agrava-se o caso em crianças e adolescentes trans que vêem a sua proteção desaparecer, mesmo quando já iniciaram a sua transição social na escola, casa e comunidade. Importa referir que estas alterações também significam, para muitas crianças e suas famílias, um retrocesso nos seus processos, mesmo que já completamente integradas no seu ambiente, criando medo, incerteza e degradando o seu bem-estar emocional e físico. Enquanto o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) diz que a identidade de género de todas as pessoas deve ser reconhecida em todos os estados membros, em Portugal ainda se debate se estas pessoas devem sequer ser reconhecidas.


Cumulativamente, estas propostas legislativas são contraditórias em si mesmas. Se, até aqui, a lei exigia que a utilização de nome social em jovens e crianças apenas pudesse ocorrer com a autorização de quem detinha a responsabilidade parental, agora, são os partidos proponentes, defensores da família, que desresponsabilizam as famílias da definição do bem-estar das crianças e jovens. Por outro lado, se, hoje, a lei permite o reconhecimento da identidade através de um processo meramente administrativo, estas alterações pretendem (re)introduzir um diagnóstico patologizante, ao mesmo tempo que retiram do processo clínico a sua autonomia e a capacidade de ponderar o risco-benefício para cada jovem utente.


Estas contradições fazem-nos crer que família e pessoas médicas são conceitos voláteis, cujo papel depende apenas de um interesse ideológico, sem ter em consideração o superior interesse da comunidade que tentam visar. Para além das consequências diretas na vida de pessoas trans e intersexo, importa reconhecer que propostas desta natureza aprofundam divisões sociais já existentes e fragilizam o tecido democrático. Ao transformar identidades e existências concretas em campo de disputa ideológica, criam-se novas linhas de fratura na sociedade, alimentando discursos de exclusão e desconfiança que enfraquecem os princípios de convivência plural que sustentam uma democracia. Defender os direitos destas pessoas é, por isso, também defender a capacidade democrática de uma sociedade viver com a diferença, sem a transformar em instrumento de conflito político.


Estes 3 projetos lei, cheios de argumentos sem base científica, são objetos de pareceres científicos que desmontam os argumentos e propostas do Projeto Lei n.º 391/XVII/1 do CH, ecoados no Projeto de Lei 486/XVII/1 do PSD e do Projeto de Lei 479/XVII/1 do CDS-PP:


Enquanto conjunto de organizações da sociedade civil, com foco nos direitos LGBTI+, posicionamo-nos firmemente contra estes 3 projetos de lei pelo perigo que configuram para a segurança, bem-estar e direitos humanos básicos das pessoas trans e intersexo. Não permitiremos discursos populistas e alarmistas. Não permitiremos nenhum ataque aos direitos humanos. Não permitiremos nenhum retrocesso.


Apelamos à mobilização de todas as pessoas contra estes projetos de lei. Porque juntes somos mais fortes:

  • Participem na Consulta Pública que está a decorrer relativamente ao projeto lei do Chega, partilhando a vossa visão ou testemunho sobre o tema

  • Saiam à rua dia 19 de março e marquem presença em frente à Assembleia da República em Lisboa, das 15h30 às 20h30

  • Partilhem este apelo para chegar ao máximo de pessoas possível


Seguimos em luta.



A consulta pública relativa ao PROJETO DE LEI n.º 391/XVII/1.ª [CH], em que qualquer pessoa pode intervir, pode ser acedida AQUI.


Seguimos, mesmo, em luta. Neste mês da Visibilidade Trans mostremos que continuamos aqui a lutar pela comunidade, saindo à rua dia 19 de março, na Marcha anual da Visibilidade Trans, perto do dia 31, e em todos os dias que forem necessários, durante todo o ano. Mais do que nunca é importante unirmo-nos em defesa de todos os direitos que querem reverter.


Dia 31 é Dia da Visibilidade Trans. Lutar pelos direitos das pessoas Trans é uma luta de todos os dias. Seguimos.






 
 
 
  • Foto do escritor: Arquivo Sáfico
    Arquivo Sáfico
  • 21 de fev.
  • 6 min de leitura

Há dois dias, saiu um post na página do instagram da revista Oriana sobre bares lésbicos. A Revista Oriana é uma revista digital fundada a 7 de fevereiro de 2025, em Lisboa, pensada pelo feminino e para o feminino onde se propõe a criação de um espaço inclusivo e diversificado de reflexão, partilha e descoberta da cultura, arte e de pensamento.


No artigo (que ainda não está no site, apenas no insta), intitulado "Lisboa precisa de bares lésbicos!", frase com a qual eu e as pessoas que vi nos comentários concordamos plenamente, são feitas referências importantíssimas para a nossa história. Falam-nos também da importância do papel histórico dos abres lésbicos na comunidade.


Como o grande objetivo deste Arquivo Sáfico é compilar tudo o que encontro (e ainda falta adicionar tanto) sobre a comunidade lésbica /sáfica, parto do artigo da Oriana, dos comentários e outras referências para deixar aqui arquivada a lista de bares/discotecas lésbicas/sáficas que existem/existiram em Portugal. Alguns já conhecia, outros fiquei a conhecer. Queria mencionar bares lésbicos fora de Lisboa, mas não encontrei nenhum. Bares Lésbicos precisam-se em Portugal, dentro e fora de Lisboa.



Ao pesquisar sobre bares lésbicos em Portugal, apareceram os seguintes:


  • 1976 : Gato Verde/Gato Preto/Memorial - Lisboa, na Rua Gustavo Matos Teixeira

  • Anos 80: Salto Alto, Lisboa, Rua da Rosa (Bairro Alto);

  • Anos 90: Primas Bar, também no Bairro Alto

  • 2007: Maria Lisboa - Alcântara

  • 2012: Ponto G

  • 2018 Society, Lisboa, no bairro do Príncipe Real



Já nenhum dos bares e discotecas referidos acima se encontra em funcionamento. 🥲


Achava que o Salto Alto e o Primas Bar eram mais queer do que sáficos, mas aparecem com a indicação de terem sido bares lésbicos.


No artigo foram mencionados o Gato Verde/Memorial e o Society. Mencionam também a festa Goddess, como a "única opção que temos hoje em dia" em Lisboa.


Nos comentários relembram, e bem, que Goddess não é exclusiva a mulheres queer (embora seja efetivamente muito frequentada por) e que existem outras festas, como as do @bailinhoqueer, que ocorrem mensalmente (para além das aulas regulares de dança de salão) e as festas do @canalcensuradas.


Fora de uma periodicidade fixa, vão surgindo algumas festas e eventos sáficos ou flinta no @Dramabar e na @aconchegohouse, que também são mencionados nos comentários.


As referências a bares e eventos acima já conhecia, mas houve um comentário que me trouxe uma referência nova (para mim) ao @sirencalllisboa, que tem uma agenda de eventos FLINTA que podem adicionar automaticamente ao google calendar!


Fora bares, também vale a pena seguirem a programação do Clube Safo e da ILGA Portugal. Na altura do Abrilés, que começou em 2024, também é costume organizar festas lésbicas, para além de toda a programação dedicada à visibilidade lésbica durante todo o mês. Em 2024 o Clube Safo organizou a SafoParty em Leiria e a ILGA Portugal fez festas de Queeraoke Lésbico quer em 2024 quer em 2025 (O que virá aí no Abrilés de 2026???).


Outros comentários a reter:


"A história começa com o Memorial da Cantora Dina, as Primas, o Purex, o Agito, o 49, o Salto Alto, Lábios de Vinho, o Troika , as discotecas Maria Lisboa, Ponto G, e uma festa muito importante para a comunidade Lésbica, a Lesboa primeira festa Lésbica em Portugal o LESBOA! Haviam vários sítios lésbicos, desapareceram..."

"Simm! E antes do Society houve o Maria Lisboa (2007) em Alcântara e o Ponto G na rua da Madalena que abriu em 2012 :) chegaram a trazer um casal de participantes do Real L Word! E tb houve uma festa que se chamava Society, a Lesboa está de volta mas durante mt tempo era a única grande festa lésbica que conhecia."

"antes desse bar Society houve o Ponto G, Salto Alto, Maria Lisboa, Alfaiataria, Sapataria…"

Daqui surgem mais nomes que não estavam na lista de cima:

  • Purex - Acho que está mais para para queer do que sáfico, mas ainda está aberto!

  • Agito - Também no bairro alto, já encerrado; não encontrei mais referências ao mesmo ser um bar lésbico

  • O 49 - Também mais LGBTQIA+ que lésbico, também no Bairro Alto, não conhecia, sem sei se ainda está aberto.

  • Labios de Vinho/Maria BA/Inox/Troika/Chueca/Maria Lisboa (Bairro Alto) - Supostamente, depois da discoteca Maria Lisboa ter fechado em Alcântaca, abriram o bar "Maria Lisboa" no bairro alto que já se chamou Maria BA, Inox, Lábios de Vinho, segundo a timeout, mas também já vi noutra página timeout que o Maria Lisboa do Bairro Alto também é o antigo troika e antigo chueca, e no comentário pareceu-me que o "Lábios de Vinho" e o "Troika", seriam referências diferentes. No entanto deixo todas agrupadas na mesma face à restante informação encontrada.

  • Alfaiataria/Sapataria - Não sendo um bar com um público alvo queer no geral, o Alfaiataria passou a ter dias específicos dedicados à comunidade LGBTI+, uma vez que era muito frequentado pela comunicado. Diz-nos a timeout (em 2019) que a dona do bar, Vanessa Vargas, que também tem ligações aos Lesboa, também criou a festa Sapataria, evento que foi apresentado no Alfaiataria, mas que tinha outra localização. Nessa altura não havia ideias de ressurgimento da Lesboa, que terminou em 2017. Mas a verdade, é que ressurgiu.

  • Lesboa - Primeira festa Lésbica de Portugal, que surgiu em 2026 e decorreu até 2017. Recentemente houve um retorno, com edições de Pré-Carnaval em 2025 via Noir Désir. No cartaz cultural de Lisboa podemos ver que a "Lesboa Party - Carnival Edition" ocorreu a 1 de março, sendo o evento descrito como "um evento internacional único, criado para preencher uma lacuna na cidade de Lisboa para festas LGBT+ e hetero-friendly". Em 2026, este mês, no dia 14, houve a "Lesboa Party - Reborn".



Saindo das citações dos comentários, para citar um estudo sobre Lésbicas portuguesas no século XX:

"Na segunda metade dos anos 1980 existia um bar que desejo sublinhar: o Salto Alto, na Rua da Rosa (Bairro Alto), e uma discoteca, o Memorial, único local em Lisboa onde se podia dançar com uma parceira do mesmo sexo. Ficaram famosas as tardes de domingo de então, apelidadas de Baile dos Bombeiros, particularmente frequentadas por lésbicas. Mais tarde, abriu um bar, o La Calle, em Alcântara, na altura de gerência inteiramente lésbica. Tal facto não impedia a censura dos corpos: se uma lésbica estava de mãos dadas com a sua namorada ou companheira era de imediato rudemente admoestada para que cessasse, a fim de “não chocar” a clientela heterossexual". - « Lésbicas portuguesas no século vinte: Apontamentos para a História » , Dee Pryde

E o La Calle vem provar que um bar com gerência lésbica nem sempre é um bar lésbico. Mas também, e ainda mais nos anos 80, a gerência lésbica teria uma probabilidade muito maior de ser atacada, o que explica o comportamento de "policiamento" sobre outras mulheres e é triste como, por vezes, o medo de sermos atacados nos faz reproduzir a opressão à nossa própria comunidade.


Esta citação também faz referência ao Memorial, que descreve como "o único local em Lisboa onde se podia dançar com uma parceira do mesmo sexo". Que grande pedaço de história e memórias, este Memorial. Fechou em 2011. Quando é que há um ressurgimento do Baile das Bombeiras? 😅 (Já viram o calendário da Nova Zelândia?)


Quando eu vim para Lisboa, em 2013, com 17 anos, os únicos sítios LGBT+ de que ouvia falar eram "os bares do Bairro Alto", o Trumps, o Finalmente. Durante um almoço na cantina, também me falaram do Ponto G, mas falava-se menos. No final do primeiro ano de faculdade, o meu padrinho de faculdade levou-me ao "Tacão Grande" (que já fechou) e ao Finalmente, e foi nesta discoteca que beijei uma mulher pela primeira vez. Já tinha 18, ainda assim, looking back, acho que era muito novinha para a mulher de 27 anos que me abordou, não que ela se tenha importado. Eu, pelo menos, não me via com 27, nem agora com 30, a ter interesse por pessoas tão novinhas, em comparação. É muito importante termos bares onde possamos ir livremente, mas também é muito importante termos cafés e outros espaços não noturnos, principalmente para malta LGBT+ mais jovem, com variedade suficiente para não ficarmos a achar que só "na noite" é que podemos ser livres.


Seria muito bom termos mais bares e espaços sáficos em Lisboa e todo o país! Mas lembrem-se, qualquer espaço onde se reúna um grupo de mulheres lésbicas, passa a ser um espaço lésbico. E às vezes pode ser mais fácil começar por utilizar as plataformas e grupos nas redes que vão existindo, para se combinarem saídas em conjunto aos espaços queer já existentes, enquanto não aparecem mais. Em conjunto, em comunidade fica mais fácil.



Deixo novamente aqui as páginas mencionadas acima, mas algumas que talvez vos interesse seguir:  @bailinhoqueer


E sabiam que o Clube Safo tem na sua página um mapa LES Friendly? Espreitem também!


Termino este post como comecei, a fazer referência ao artigo da revista Oriana. Foi comentado (e concordo) que só se refere a Lisboa e teve um lapso em indicar a Goddess como a única festa para mulheres, mas também foi um post muito importante para reiniciar esta conversa! Ainda bem que foi feito, que bom que se está a falar disto. 🙏


PS: Não cheguei a ir ao Ponto G. Fechou antes de arranjar coragem para lá ir. 😅 Não sei como era o ambiente, mas fica aqui uma foto. Queria ilustrar este post com uma foto do Gato verde, mas não encontrei nada.









 
 
 
  • Foto do escritor: Arquivo Sáfico
    Arquivo Sáfico
  • 14 de fev.
  • 7 min de leitura

Neste chamado dia de São Valentim, achei que faria todo o sentido falar sobre relações sáficas e saúde mental e sexual. Ênfase na saúde sexual, que no final do post deixo-vos uma compilação sobre este tema.


O Dia do Amor pode ser uma bonita celebração, um dia como outro qualquer, ou um grande triggering. Estamos habituadas a ver nos filmes que é muito importante não estar sozinha nesta data (credo, antes só que mal acompanhada). Acho que é uma coisa que acontece mais nos EUA, mas que os filmes também trazem para cá.


Estamos habituadas a que, se estamos numa relação, temos de “obrigatoriamente” fazer algo naquele dia, e se não estamos, poderá surgir alguma memória de relações passadas, algum desejo de relações futuras, alguma solidão sentida. Ou não…


Também acontece uma coisa “engraçada” que faz parecer que não podemos combinar alguma coisa com alguém nesta data, só porque calhou, sem dar azo a interpretações.


Não me interpretem mal, eu adoro uma desculpa para celebrar. E apesar de toda a vertente comercial e capitalista que advém deste dia, sou apologista de se celebrar o Dia do Amor, seja com namorades, afetos, amizades, familiares, ou pessoas no geral a quem se queira lembrar que é um belo dia para amar (este e os outros). E não é preciso grandes gastos para assinalar a data.


Eu quando estou numa relação gosto de celebrá-la, de preferência em casa, para evitar a confusão de gente, mas também já fui jantar fora. E gosto de receber e dar prendas e acho uma bela desculpa para tal. 🤷‍♀️ Quanto não estou, se me lembrar, gosto de assinalar também, seja com uma lembracinha, seja com palavras de apreço pelas pessoas de quem gosto. Houve um ano em que decidi oferecer um marcador de livros a váries amigues, por exemplo.


No entanto, também já reparei que vários casais só vão jantar a um restaurante porque é “Dia dos namorados” e pela discussão parece que queriam estar em qualquer outro lado menos ali, e muito menos juntes. Fará sentido? Forçarmo-nos a algo só porque a sociedade decidiu que é aquilo que se deve fazer naquele dia? Eu acho que não… Logo, reitero que acho que é uma excelente desculpa para celebrar, mas apenas se e com quem fizer sentido. Pode haver anos em que faça, pode haver anos em que não. E até pode estar tudo bem e fazer todo o sentido, e simplesmente não se ter disposição. E a celebração, em qualquer dia se faz se se quiser. Celebrar ou não o dia de hoje não diz nada sobre as nossas relações.


Porque é que há tantos casais (mas talvez mais heterossexuais?) que se chateiam se não for feita reserva no restaurante xpto, se houve esquecimento da data, se não foi planeado nada, se até foi mas houve atrasos, se as filas estavam gigantes, se a prenda não era a esperada, etc, etc, etc.


E como anda a aceitação das nossas relações perante a família, amigues, sociedade? Será que podemos vivenciar este dia de forma livre? Será que podemos apresentar a namorada à família? Será que podemos andar de mãos dadas na rua livremente, sem levarmos com olhares, comentários, ameaças? Algumas poderão, outras não. Portanto, para além de toda a pressão que qualquer pessoa pode levar num dia destes, as pessoas LGBTQIA+ poderão ter uma pressão muito maior e levar com ainda mais preconceito neste dia.


Será que toda esta pressão faz bem à saúde? Como anda a saúde das mulheres lésbicas/sáficas? Neste e nos outros dias? E as mulheres sáficas que vão ter relações sexuais neste e nos outros dias, sabem proteger a sua saúde sexual?


Tudo o mencionado acima, principalmente em situações de não aceitação por parte da família ou das pessoas à nossa volta, tem o seu impacto na saúde mental. Mas este post é, principalmente, sobre saúde sexual.


É muito raro nas aulas de educação sexual nas escolas falar-se de métodos de prevenção de ISTs num âmbito de relações entre mulheres e pessoas sáficas. É muito raro ver-se na mídia algo sobre o assunto. É muito raro ver publicações sobre o tema em Portugal.


A primeira grande referência em Portugal será, talvez, a brochura "Saúde Sexual" do projeto "Lés + Saúde" do Clube Safo. Este importante projeto tem mais duas brochuras para além desta: "Maternidade Lésbica" e "Acesso à Saúde".


Na página 28 desta brochura, podemos ver alguns cuidados de saúde sexual a ter:

PRESERVATIVOS INTERNOS E EXTERNOS

O preservativo externo é usado externamente no pénis ou para a partilha de objetos sexuais (como dildos, vibradores, cenouras ou qualquer outro objeto utilizado para penetração), pode ser utilizado também nos dedos quando utilizados para penetração. O preservativo interno é usado internamente na vagina ou no ânus. Nunca se podem usar os 2 preservativos em conjunto, pois o risco de rompimento é maior.

Para a proteção no sexo oral a uma pessoa com vulva, pode criar uma barreira oral através do corte de um preservativo externo. É um método mais económico e acessível (pode ser adquirido em centros de saúde gratuitamente).


DENTAL DAM 

Este método de proteção pode ser usado para cobrir a vulva ou ânus no sexo oral ou fricção genital. São folhas retangulares de látex. Podem ser adquiridas em sexshops ou através de algumas lojas online. Não se encontra disponível gratuitamente em Portugal.


LORALS

As Lorals for Protection são cuecas elásticas à base de látex, diminuindo o risco de transmissão de ISTs. Este método de proteção foi recentemente aprovado pela FDA, mas ainda não se encontra à venda em Portugal. Este método, assim como o que acontece com o preservativo ou dental dam, é de uso único.


VACINAÇÃO

Para a Hepatite B e HPV já existe vacinação há largos anos e que estão contempladas no Plano Nacional de Vacinação. No que toca à Hepatite B a melhor prevenção é através da vacina. Por outro lado, a vacinação contra o HPV é o método de prevenção que mais diminui o risco de desenvolvimento de cancro do colo do útero e condilomas, mas não protege contra todo o tipo de HPV. A vacina da hepatite A protege também quem faça sexo oro-anal.


PREP (PROFILAXIA PRÉ-EXPOSIÇÃO)

A Profilaxia Pré-Exposição é um método de prevenção contra a infecção pelo VIH antes de uma exposição a este vírus, por exemplo através de relação sexual de risco ou com pessoa(s) parceira(s) com VIH que não esteja(m) em tratamento. No fundo, a PrEP consiste na toma diária de um comprimido que possibilita que o organismo da pessoa esteja preparado caso exista um possível contacto com o VIH. A PrEP não protege contra outras ISTs e, portanto, é importante adotar outras terapêuticas para a sua prevenção. A PrEP só se torna eficaz caso a sua toma seja consistente diariamente.


PROFILAXIA PÓS-EXPOSIÇÃO (PPE)

A Profilaxia Pós-Exposição consiste no uso de medicação que reduz o risco de aquisição de VIH. Após um contacto de risco como, por exemplo, relações sexuais (especialmente penetrativas) desprotegidas ou violência sexual.

A PPE apenas está disponível em Serviços de Urgência de Hospitais, e deve ser iniciada o mais cedo possível após a relação sexual de risco (no máximo até 72h). É importante que a toma seja feita como foi receitada, pois caso contrário a terapêutica não surtirá efeito (28 dias).



No audiovisual, lembro-me da websérie "Me and Her(pes)", que é a única que conheço especificamente sobre este tema. Não tem legendas em português. É da Austrália, tem seis episódios e é bastante cómica.


E isto é o único de que me lembrei sobre saúde sexual sáfica. Provavelmente alguns episódios de "Sex Education" , do clássico "The L Word" e "South of Nowhere" abordarão saúde sexual também.


Fui à procura de mais referências e, da pesquisa que fiz para este post, cá vai o que encontrei:


E sem surpresa nenhuma, continuamos sem saber como anda a saúde sexual das mulheres sáficas em Portugal, visto que não temos estudos para isso, e foi encontrada muito mais informação vinda do Brasil. Não fosse o Brasil tínhamos muito pouco conteúdo em português sobre este tema.


Esta foi uma primeira pesquisa, que podem ajudar a completar nos comentários! 😊


Divirtam-se muito neste dia das Sãs Valentinas. Mas lembrem-se: "Nothing lasts forever. Except herpes", portanto cuidem-se. 😝






PS: Sabiam que hoje também é dia da doação de livros? E que fiz voluntariado no CDOC - Centro de Documentação Gonçalo Diniz, da Associação ILGA Portugal? Hoje também é um belo dia para vos dizer para doarem livros LGBTQIA+ ao CDOC!






 
 
 
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