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Judith Teixeira (1880 - 1959)

  • Foto do escritor: Arquivo Sáfico
    Arquivo Sáfico
  • 4 de ago. de 2018
  • 2 min de leitura

Atualizado: 12 de jan.




Judith Teixeira foi uma escritora e poeta bissexual portuguesa, nascida em Viseu, no dia 25 de janeiro de 1880, que escreveu sobre relações românticas e sexuais entre mulheres nos anos 20.


Exemplares do seu livro Decadência foram apreendidos, juntamente com os livros de António Botto (Canções) e Raul Leal (Sodoma Divinizada), e mandados queimar pelo Governo Civil de Lisboa na sequência de uma campanha, liderada pela conservadora Liga de Ação dos Estudantes de Lisboa, contra "os artistas decadentes, os poetas de Sodoma, os editores, autores e vendedores de livros imorais".


Judith também escreveu para vários jornais, sob o pseudónimo de Lena de Valois, e contribuiu para a "Contemporânea", conceituada revista modernista. Publicou 5 obras, entre 1923 e 1927.



Obras:


  • Decadência. Poemas (1923)

  • Castelo de Sombras. Poemas (1923)

  • Nua. Poemas de Bizâncio (1926)

  • De Mim. Conferência (1926)

  • Satânia. Novelas (1927)



Judith foi diretora da revista Europa em 1925 e escreveu uma palestra, intitulada "De mim. Em que se explicam as minhas razões sobre a Vida, sobre a Estética, sobre a Moral" (1926), provavelmente o único manifesto artístico modernista de autoria feminina no início do século XX em Portugal. 


As relações amorosas entre mulheres retratadas nos seus poemas foram alvo de ataques na imprensa, tendo sido descritas como "vergonhas sexuais" e "versalhadas ignóbeis". Na revista pro-fascista "Ordem Nova", em 1926, Marcello Caetano referiu-se ao livro "Decadência" como sendo da autoria "duma desavergonhada chamada Judith Teixeira", regozijando-se que os seus livros tivessem sido apreendidos e queimados.


Em 1927, Judith encontrava-se ausente de Portugal, como se depreende de uma nota inserida no fim do livro Satânia, o último que publicou. Pouco se sabe acerca dos últimos trinta e dois anos da sua vida. Faleceu a 17 de Maio de 1959, aos 79 anos, residindo então em Lisboa, no número 3 da Praceta Padre Francisco, em Campo de Ourique. Segundo o assento de óbito, morreu viúva, sem deixar filhos nem bens e sem fazer testamento. 

"Morreu quase desconhecida e permaneceu injustamente expurgada da memória coletiva e da história literária até recentemente, seguramente por causa do subtexto lésbico presente em vários dos seus poemas."



Em 2015, foi homenageada num colóquio internacional na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.


Em 2016, o município de Viseu, em parceria com a editora Edições Esgotadas, criou o Prémio de Poesia Judith Teixeira que distingue obras de poesia escritas em português.


Existem, atualmente, duas coletâneas que reúnem a toda obra de Judith Teixeira: "Poesia e Prosa" e "Judith Teixeira - Obras Completas".





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