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  • Foto do escritor: Arquivo Sáfico
    Arquivo Sáfico
  • 20 de mai. de 2019
  • 2 min de leitura

Já aqui escrevi sobre o filme “The Secret Diary of Miss Anne Lister”, chegou a vez de escrever sobre a série “Gentleman Jack”. Estas duas obras retratam a vida de Anne Lister (1791 – 1840): a “primeira lésbica moderna da história.”


“Gentleman Jack” é uma minissérie do canal BBC, tal como o filme, e estreou em abril deste ano. É exibida, também, no canal HBO, incluindo a HBO Portugal. Terá a duração de 8 episódios. O título refere-se à alcunha que os habitantes de Halifax atribuíram a Anne Lister, pela sua aparência e hábitos “masculinos” e relações com outras mulheres.


A alcunha “Gentleman Jack” também dá o nome a uma música do duo O’Hooley & Tidow que nos canta sobre Anne Lister.


Lister ficou conhecida através dos seus diários, onde narrava os detalhes da sua vida quotidiana, incluindo os seus relacionamentos lésbicos, as suas preocupações financeiras, atividades industriais e o trabalho que dedicava a planear as obras e o paisagismo da sua propriedade, o “Shibden Hall”, que herdou do tio, James Lister, falecido em 1826. A série será sobre a renovação desta moradia histórica, tendo mesmo sito provisoriamente intitulada de “Shibden Hall” anteriormente.


Anne Lister foi uma mulher do século XIX que viveu abertamente a sua sexualidade, chegando mesmo a casar-se (sem reconhecimento legal, claro) com Ann Walker. Foi inaugurada em julho de 2018 uma placa em sua homenagem e em reconhecimento do seu casamento na igreja da Santíssima Trindade em York, na Inglaterra, marcando o local onde Anne Lister recebeu comunhão com Ann Walker, em 1834.  É comum afixar-se uma placa azul para designar locais e personalidades importantes na história da Inglaterra. Esta é a primeira placa azul rodeada com um arco-íris. 😊


Não percam a série sobre a primeira lésbica moderna da história!



 
 
 
  • Foto do escritor: Arquivo Sáfico
    Arquivo Sáfico
  • 4 de mai. de 2019
  • 1 min de leitura

Feliz dia da mãe a todas as vossas mães e a todas as que de vocês forem mães. E porque hoje é dia da mãe, venho recordar a Carol e a Susan de Friends, o primeiro casal lésbico que vi na televisão, que cuidava do filho Ben (filho biológico de Carol e Ross).


Explicando a trama, para quem não viu a série, Carol é a ex-mulher de Ross, um dos seis amigos protagonistas. O seu divórcio deveu-se ao facto de Carol ser lésbica e se ter apaixonado por Susan, com quem assume a relação após o término do casamento. Acontece que Carol estava grávida quando se separou. Ela e Susan decidem cuidar do filho juntas e Ross acata a decisão. Mais tarde, acabam mesmo por casar, sendo o primeiro casamento lésbico da tv, numa altura em que não era legal em lado nenhum. O primeiro país a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi a Holanda, em 2001. A série é de 1994 e mostrou o casamento destas personagens em 1995.


Nas poucas vezes em que aparecem na série, Carol e Susan são retratadas com a mesma naturalidade de qualquer outro casal, tal como deve ser feito. Ben foi crescendo com as suas duas mães. Apesar de serem personagens bastante secundárias e de não ter encontrado nenhum beijo entre as duas, foram um marco na história da representação lésbica, e um passo importante para a representação que se foi seguindo, mostrando-nos um casal lésbico com a guarda de uma criança e o seu casamento, numa altura em que isto parecia impossível.



 
 
 
  • Foto do escritor: Arquivo Sáfico
    Arquivo Sáfico
  • 28 de abr. de 2019
  • 2 min de leitura

Quem se lembra do clássico “I can’t think straight”? E quem se lembra do nome da realizadora? Hoje trago-vos Shamim Sarif, escritora e realizadora londrina, com origens indianas e africanas, e dois dos seus livros e respetivos filmes: “I can’t think straight” e “The World Unseen”. O casal protagonista de ambos filmes é interpretados pelas mesmas atrizes: Lisa Ray e Sheetal Sheth.


 “The World Unseen”, lançado em 2001, conta-nos uma história passada em África do Sul, na altura do apartheid: Amina é uma jovem mulher que desafia as convenções a comunidade indiana em que cresceu e que se recusa a seguir a segregação racial implementada, dando as boas-vindas a pessoas de todas as origens e cores no seu café. Miriam é uma jovem indiana, mãe de família, tradicional e submissa ao casamento que a sua família lhe arranjou. Quando estas duas mulheres de dois mundos diferentes se conhecem as suas vidas transformam-se completamente.


 Sarif adaptou este livro a filme em 2007, com o mesmo título, e em 2009 foi lançada a versão portuguesa do livro com o título de “O Mundo Invisível”. No meio destes dois acontecimentos, Sarif lança o livro “I Can’t Think Straight” e o respetivo filme, em 2008.


 “I Can’t Think Straight” conta-nos a história de Tala e Leyla. Tala é uma mulher cristã, enérgica e determinada, que, apesar de residir em Londres, ainda tem de enfrentar as tradições do seu país, a Jordânia, onde toda a sua família se dedica aos preparativos do seu casamento. Leyla é uma mulher muçulmana tímida, de ascendência indiana e britânica, que sonha ser escritora. Quando estas duas mulheres tão diferentes se encontram, a atração é imediata. Não encontrei versão portuguesa deste livro.


São dois filmes que recomendo e dois livros que ainda estão na minha lista de livros por ler. Geralmente, o trabalho de Shamim Sarif integra uma mistura de culturas e amores lésbicos, tal como a sua vida. Sarif é casada com Hanan Kattan, com quem tem dois filhos.


Completando a sua bibliografia e filmografia, temos o livro “Despite the Falling Snow”, lançado em 2004, adaptado a filme em 2015; o livro de 2010 “Wrote the Book, Made the Movie, Raised the Kids, Now the Blog…”; e o documentário de 2011 “The House of Tomorrow”.  Está previsto o lançamento do livro “The Athena Protocol” para outubro deste ano e Sarif já está a adaptar a trabalhar num roteiro baseado no mesmo. Também será lançado o filme “Polarized”, protagonizado por um casal de mulheres, ainda em desenvolvimento e sem muitas informações divulgadas.


 Shamim Sarif venceu inúmeros prémios com as suas obras e discursou em várias TED talks.



 
 
 
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