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  • Foto do escritor: Arquivo Sáfico
    Arquivo Sáfico
  • 7 de set. de 2018
  • 2 min de leitura

Freeheld | Cynthia Wade | 2007 | EUA | IMDB


Sinopse:

Documentário que acompanha os últimos momentos da vida da tenente Laurel Hester. Sabendo que não conseguirá vencer o seu cancro no pulmão, Laurel ainda luta para poder deixar todos os seus benefícios como pensão para a companheira Stacie. Mas a justiça diz que Laurel não pode fazer isso, porque elas não são marido e mulher. Tendo passado a vida inteira dedicada à justiça pelas pessoas, Laurel - veterana detetive em Nova Jersey - inicia uma batalha pela própria justiça.



Freeheld venceu o Óscar de Melhor Documentário de Curta-Metragem. Infelizmente, Laurel não ficou entre nós tempo suficiente para poder receber o prémio. Mas ainda conseguiu ver o resultado da sua luta em vida, tendo levado a que o sistema de pensões passasse a abranger também os casais homossexuais que viviam em união de facto, o que só aconteceu depois de inúmeras tentativas, decisões negativas e protestos.


Laurel Hester e Stacie Andree

Foi em 2004 que a detetive descobriu que tinha cancro em fase terminal e que tinha pouco tempo de vida. Laurel e Stacie viviam em união de facto, estatuto reconhecido por lei, mas tal união não abrangia os benefícios da pensão a que se teria direito caso se tratasse de um casal heterossexual. Depois da morte de Laurel, Stacie não conseguiria pagar o empréstimo que pediram para a casa. Um casal heterossexual não teria esta preocupação e Laurel lutou até à morte para que a sua companheira também não tivesse de se preocupar.


Foi feito um pedido formal para que a regra fosse mudada, tendo o apoio da Associação de Benefícios da Polícia local. Contudo, quando o caso chegou a um juri, o pedido foi negado. 


No dia 23 de novembro de 2005, houve um protesto com mais de 100 pessoas contra a decisão do juri, mas sem qualquer efeito prático.


No 18 de janeiro do ano seguinte, Laurel fez uma última tentativa, apesar de já se encontrar bastante debilitada. Envio um vídeo gravado a partir da própria cama do hospital para outra reunião do júri. Dois dias mais tarde, uma teleconferência com os líderes republicanos reverteu a decisão que tinha sido tomada e a partir de dia 25 o sistema de pensões passou a abranger também os casais homossexuais que viviam em união de facto.


Laurel Hester acabou por falecer no dia 18 do mês seguinte.



A luta de Lauren e Stacy foi adaptada a filme em 2015, tendo sido interpretadas pela atriz Julianne Moore e pelo ator Elliot Page, respetivamente.

 
 
 
  • Foto do escritor: Arquivo Sáfico
    Arquivo Sáfico
  • 7 de set. de 2018
  • 2 min de leitura

Benedetta Carlini, nascida em 1591, foi uma freira católica italiana da qual se encontraram relatos de possuir visões místicas e estigmas no corpo (as cinco chagas de Cristo, nos locais onde foi perfurado na cruz, que identifica os santos), tendo tido enorme influência no Convento onde vivia (Convento de Madre de Deus, na localidade de Pescia).


As alegadas visões de Benedetta surgiram após se ter tornado abadessa do convento, aos 30 anos e foram descritas como sendo bastante perturbadoras, existindo nomeadamente visões em que a tentariam matar, o que levou as outras Irmãs do convento a designarem a Irmã Bartolemea para acompanhá-la diariamente, receosas de que Benedetta estivesse a ser assediada por entidades demoníacas.


Os privilégios de Benedetta terminaram quando se veio a descobrir que ela e Bartolomea mantinham uma relação há anos. Foi despojada de sua primazia como abadessa e em seguida, mantida sob guarda pelos 35 anos restantes de sua vida.


Veio a falecer em 1661, enquanto a sua ex-amante, Bartolomea, teria morrido em 1660.


A historiadora Judith C. Brown decidiu documentar a história de Benedetta na obra "Immodest Acts: The Life of A Lesbian Nun in Renaissance Italy", em1986, após encontrar um inventário de documentos cujos registos indicavam "Papeis relacionados ao julgamento da irmã Benedetta Carlini de Vellano, abadessa das freiras teatinas de Pescia, que se passava por mística, mas que se descobriu ser uma mulher de má reputação”, enquanto fazia pesquisas no Arquivo do Estado de Florença. (Claro que em Portugal não saiu edição deste livro..., mas existe edição brasileira, com o título "Atos Impuros: A Vida de uma Freira Lésbica na Itália da Renascença")


Estamos, portanto, perante uma figura histórica lésbica (ex-)santa, do século XVII, sendo muitas vezes descrita enquanto santa-virgem-lésbica 😅. Obrigada, Judith, por contares a sua história!


Judith C. Brown

A vida de Benedetta chegará aos cinemas franceses em 2019, pela direção de Paul Verhoeven, ainda não havendo datas de estreia para outros países. O Filme, intitulado de "Benedetta" teve como primeiro nome "Blessed Virgen".

 

 
 
 
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