Já leram a revista Oriana?
- Arquivo Sáfico

- há 1 dia
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Há dois dias, saiu um post na página do instagram da revista Oriana sobre bares lésbicos. A Revista Oriana é uma revista digital fundada a 7 de fevereiro de 2025, em Lisboa, pensada pelo feminino e para o feminino onde se propõe a criação de um espaço inclusivo e diversificado de reflexão, partilha e descoberta da cultura, arte e de pensamento.
No artigo (que ainda não está no site, apenas no insta), intitulado "Lisboa precisa de bares lésbicos!", frase com a qual eu e as pessoas que vi nos comentários concordamos plenamente, são feitas referências importantíssimas para a nossa história. Falam-nos também da importância do papel histórico dos abres lésbicos na comunidade.
Como o grande objetivo deste Arquivo Sáfico é compilar tudo o que encontro (e ainda falta adicionar tanto) sobre a comunidade lésbica /sáfica, parto do artigo da Oriana, dos comentários e outras referências para deixar aqui arquivada a lista de bares/discotecas lésbicas/sáficas que existem/existiram em Portugal. Alguns já conhecia, outros fiquei a conhecer. Queria mencionar bares lésbicos fora de Lisboa, mas não encontrei nenhum. Bares Lésbicos precisam-se em Portugal, dentro e fora de Lisboa.
Ao pesquisar sobre bares lésbicos em Portugal, apareceram os seguintes:
1976 : Gato Verde/Gato Preto/Memorial - Lisboa, na Rua Gustavo Matos Teixeira
Anos 80: Salto Alto, Lisboa, Rua da Rosa (Bairro Alto);
Anos 90: Primas Bar, também no Bairro Alto
2007: Maria Lisboa - Alcântara
2012: Ponto G
2018 Society, Lisboa, no bairro do Príncipe Real
Já nenhum dos bares e discotecas referidos acima se encontra em funcionamento. 🥲
Achava que o Salto Alto e o Primas Bar eram mais queer do que sáficos, mas aparecem com a indicação de terem sido bares lésbicos.
No artigo foram mencionados o Gato Verde/Memorial e o Society. Mencionam também a festa Goddess, como a "única opção que temos hoje em dia" em Lisboa.
Nos comentários relembram, e bem, que Goddess não é exclusiva a mulheres queer (embora seja efetivamente muito frequentada por) e que existem outras festas, como as do @bailinhoqueer, que ocorrem mensalmente (para além das aulas regulares de dança de salão) e as festas do @canalcensuradas.
Fora de uma periodicidade fixa, vão surgindo algumas festas e eventos sáficos ou flinta no @Dramabar e na @aconchegohouse, que também são mencionados nos comentários.
As referências a bares e eventos acima já conhecia, mas houve um comentário que me trouxe uma referência nova (para mim) ao @sirencalllisboa, que tem uma agenda de eventos FLINTA que podem adicionar automaticamente ao google calendar!
Fora bares, também vale a pena seguirem a programação do Clube Safo e da ILGA Portugal. Na altura do Abrilés, que começou em 2024, também é costume organizar festas lésbicas, para além de toda a programação dedicada à visibilidade lésbica durante todo o mês. Em 2024 o Clube Safo organizou a SafoParty em Leiria e a ILGA Portugal fez festas de Queeraoke Lésbico quer em 2024 quer em 2025 (O que virá aí no Abrilés de 2026???).
Outros comentários a reter:
"A história começa com o Memorial da Cantora Dina, as Primas, o Purex, o Agito, o 49, o Salto Alto, Lábios de Vinho, o Troika , as discotecas Maria Lisboa, Ponto G, e uma festa muito importante para a comunidade Lésbica, a Lesboa primeira festa Lésbica em Portugal o LESBOA! Haviam vários sítios lésbicos, desapareceram..."
"Simm! E antes do Society houve o Maria Lisboa (2007) em Alcântara e o Ponto G na rua da Madalena que abriu em 2012 :) chegaram a trazer um casal de participantes do Real L Word! E tb houve uma festa que se chamava Society, a Lesboa está de volta mas durante mt tempo era a única grande festa lésbica que conhecia."
"antes desse bar Society houve o Ponto G, Salto Alto, Maria Lisboa, Alfaiataria, Sapataria…"
Daqui surgem mais nomes que não estavam na lista de cima:
Purex - Acho que está mais para para queer do que sáfico, mas ainda está aberto!
Agito - Também no bairro alto, já encerrado; não encontrei mais referências ao mesmo ser um bar lésbico
O 49 - Também mais LGBTQIA+ que lésbico, também no Bairro Alto, não conhecia, sem sei se ainda está aberto.
Labios de Vinho/Maria BA/Inox/Troika/Chueca/Maria Lisboa (Bairro Alto) - Supostamente, depois da discoteca Maria Lisboa ter fechado em Alcântaca, abriram o bar "Maria Lisboa" no bairro alto que já se chamou Maria BA, Inox, Lábios de Vinho, segundo a timeout, mas também já vi noutra página timeout que o Maria Lisboa do Bairro Alto também é o antigo troika e antigo chueca, e no comentário pareceu-me que o "Lábios de Vinho" e o "Troika", seriam referências diferentes. No entanto deixo todas agrupadas na mesma face à restante informação encontrada.
Alfaiataria/Sapataria - Não sendo um bar com um público alvo queer no geral, o Alfaiataria passou a ter dias específicos dedicados à comunidade LGBTI+, uma vez que era muito frequentado pela comunicado. Diz-nos a timeout (em 2019) que a dona do bar, Vanessa Vargas, que também tem ligações aos Lesboa, também criou a festa Sapataria, evento que foi apresentado no Alfaiataria, mas que tinha outra localização. Nessa altura não havia ideias de ressurgimento da Lesboa, que terminou em 2017. Mas a verdade, é que ressurgiu.
Lesboa - Primeira festa Lésbica de Portugal, que surgiu em 2026 e decorreu até 2017. Recentemente houve um retorno, com edições de Pré-Carnaval em 2025 via Noir Désir. No cartaz cultural de Lisboa podemos ver que a "Lesboa Party - Carnival Edition" ocorreu a 1 de março, sendo o evento descrito como "um evento internacional único, criado para preencher uma lacuna na cidade de Lisboa para festas LGBT+ e hetero-friendly". Em 2026, este mês, no dia 14, houve a "Lesboa Party - Reborn".
Saindo das citações dos comentários, para citar um estudo sobre Lésbicas portuguesas no século XX:
"Na segunda metade dos anos 1980 existia um bar que desejo sublinhar: o Salto Alto, na Rua da Rosa (Bairro Alto), e uma discoteca, o Memorial, único local em Lisboa onde se podia dançar com uma parceira do mesmo sexo. Ficaram famosas as tardes de domingo de então, apelidadas de Baile dos Bombeiros, particularmente frequentadas por lésbicas. Mais tarde, abriu um bar, o La Calle, em Alcântara, na altura de gerência inteiramente lésbica. Tal facto não impedia a censura dos corpos: se uma lésbica estava de mãos dadas com a sua namorada ou companheira era de imediato rudemente admoestada para que cessasse, a fim de “não chocar” a clientela heterossexual". - « Lésbicas portuguesas no século vinte: Apontamentos para a História » , Dee Pryde
E o La Calle vem provar que um bar com gerência lésbica nem sempre é um bar lésbico. Mas também, e ainda mais nos anos 80, a gerência lésbica teria uma probabilidade muito maior de ser atacada, o que explica o comportamento de "policiamento" sobre outras mulheres e é triste como, por vezes, o medo de sermos atacados nos faz reproduzir a opressão à nossa própria comunidade.
Esta citação também faz referência ao Memorial, que descreve como "o único local em Lisboa onde se podia dançar com uma parceira do mesmo sexo". Que grande pedaço de história e memórias, este Memorial. Fechou em 2011. Quando é que há um ressurgimento do Baile das Bombeiras? 😅 (Já viram o calendário da Nova Zelândia?)
Quando eu vim para Lisboa, em 2013, com 17 anos, os únicos sítios LGBT+ de que ouvia falar eram "os bares do Bairro Alto", o Trumps, o Finalmente. Durante um almoço na cantina, também me falaram do Ponto G, mas falava-se menos. No final do primeiro ano de faculdade, o meu padrinho de faculdade levou-me ao "Tacão Grande" (que já fechou) e ao Finalmente, e foi nesta discoteca que beijei uma mulher pela primeira vez. Já tinha 18, ainda assim, looking back, acho que era muito novinha para a mulher de 27 anos que me abordou, não que ela se tenha importado. Eu, pelo menos, não me via com 27, nem agora com 30, a ter interesse por pessoas tão novinhas, em comparação. É muito importante termos bares onde possamos ir livremente, mas também é muito importante termos cafés e outros espaços não noturnos, principalmente para malta LGBT+ mais jovem, com variedade suficiente para não ficarmos a achar que só "na noite" é que podemos ser livres.
Seria muito bom termos mais bares e espaços sáficos em Lisboa e todo o país! Mas lembrem-se, qualquer espaço onde se reúna um grupo de mulheres lésbicas, passa a ser um espaço lésbico. E às vezes pode ser mais fácil começar por utilizar as plataformas e grupos nas redes que vão existindo, para se combinarem saídas em conjunto aos espaços queer já existentes, enquanto não aparecem mais. Em conjunto, em comunidade fica mais fácil.
Deixo novamente aqui as páginas mencionadas acima, mas algumas que talvez vos interesse seguir: @bailinhoqueer
E sabiam que o Clube Safo tem na sua página um mapa LES Friendly? Espreitem também!
Termino este post como comecei, a fazer referência ao artigo da revista Oriana. Foi comentado (e concordo) que só se refere a Lisboa e teve um lapso em indicar a Goddess como a única festa para mulheres, mas também foi um post muito importante para reiniciar esta conversa! Ainda bem que foi feito, que bom que se está a falar disto. 🙏
PS: Não cheguei a ir ao Ponto G. Fechou antes de arranjar coragem para lá ir. 😅 Não sei como era o ambiente, mas fica aqui uma foto. Queria ilustrar este post com uma foto do Gato verde, mas não encontrei nada.







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