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É Dia de S. Valentim, mas as Valentinas andam sãs?

  • Foto do escritor: Arquivo Sáfico
    Arquivo Sáfico
  • há 1 dia
  • 7 min de leitura

Atualizado: há 2 horas


Neste chamado dia de São Valentim, achei que faria todo o sentido falar sobre relações sáficas e saúde mental e sexual. Ênfase na saúde sexual, que no final do post deixo-vos uma compilação sobre este tema.


O Dia do Amor pode ser uma bonita celebração, um dia como outro qualquer, ou um grande triggering. Estamos habituadas a ver nos filmes que é muito importante não estar sozinha nesta data (credo, antes só que mal acompanhada). Acho que é uma coisa que acontece mais nos EUA, mas que os filmes também trazem para cá.


Estamos habituadas a que, se estamos numa relação, temos de “obrigatoriamente” fazer algo naquele dia, e se não estamos, poderá surgir alguma memória de relações passadas, algum desejo de relações futuras, alguma solidão sentida. Ou não…


Também acontece uma coisa “engraçada” que faz parecer que não podemos combinar alguma coisa com alguém nesta data, só porque calhou, sem dar azo a interpretações.


Não me interpretem mal, eu adoro uma desculpa para celebrar. E apesar de toda a vertente comercial e capitalista que advém deste dia, sou apologista de se celebrar o Dia do Amor, seja com namorades, afetos, amizades, familiares, ou pessoas no geral a quem se queira lembrar que é um belo dia para amar (este e os outros). E não é preciso grandes gastos para assinalar a data.


Eu quando estou numa relação gosto de celebrá-la, de preferência em casa, para evitar a confusão de gente, mas também já fui jantar fora. E gosto de receber e dar prendas e acho uma bela desculpa para tal. 🤷‍♀️ Quanto não estou, se me lembrar, gosto de assinalar também, seja com uma lembracinha, seja com palavras de apreço pelas pessoas de quem gosto. Houve um ano em que decidi oferecer um marcador de livros a váries amigues, por exemplo.


No entanto, também já reparei que vários casais só vão jantar a um restaurante porque é “Dia dos namorados” e pela discussão parece que queriam estar em qualquer outro lado menos ali, e muito menos juntes. Fará sentido? Forçarmo-nos a algo só porque a sociedade decidiu que é aquilo que se deve fazer naquele dia? Eu acho que não… Logo, reitero que acho que é uma excelente desculpa para celebrar, mas apenas se e com quem fizer sentido. Pode haver anos em que faça, pode haver anos em que não. E até pode estar tudo bem e fazer todo o sentido, e simplesmente não se ter disposição. E a celebração, em qualquer dia se faz se se quiser. Celebrar ou não o dia de hoje não diz nada sobre as nossas relações.


Porque é que há tantos casais (mas talvez mais heterossexuais?) que se chateiam se não for feita reserva no restaurante xpto, se houve esquecimento da data, se não foi planeado nada, se até foi mas houve atrasos, se as filas estavam gigantes, se a prenda não era a esperada, etc, etc, etc.


E como anda a aceitação das nossas relações perante a família, amigues, sociedade? Será que podemos vivenciar este dia de forma livre? Será que podemos apresentar a namorada à família? Será que podemos andar de mãos dadas na rua livremente, sem levarmos com olhares, comentários, ameaças? Algumas poderão, outras não. Portanto, para além de toda a pressão que qualquer pessoa pode levar num dia destes, as pessoas LGBTQIA+ poderão ter uma pressão muito maior e levar com ainda mais preconceito neste dia.


Será que toda esta pressão faz bem à saúde? Como anda a saúde das mulheres lésbicas/sáficas? Neste e nos outros dias? E as mulheres sáficas que vão ter relações sexuais neste e nos outros dias, sabem proteger a sua saúde sexual?


Tudo o mencionado acima, principalmente em situações de não aceitação por parte da família ou das pessoas à nossa volta, tem o seu impacto na saúde mental. Mas este post é, principalmente, sobre saúde sexual.


É muito raro nas aulas de educação sexual nas escolas falar-se de métodos de prevenção de ISTs num âmbito de relações entre mulheres e pessoas sáficas. É muito raro ver-se na mídia algo sobre o assunto. É muito raro ver publicações sobre o tema em Portugal.


A primeira grande referência em Portugal será, talvez, a brochura "Saúde Sexual" do projeto "Lés + Saúde" do Clube Safo. Este importante projeto tem mais duas brochuras para além desta: "Maternidade Lésbica" e "Acesso à Saúde".


Na página 28 desta brochura, podemos ver alguns cuidados de saúde sexual a ter:

PRESERVATIVOS INTERNOS E EXTERNOS

O preservativo externo é usado externamente no pénis ou para a partilha de objetos sexuais (como dildos, vibradores, cenouras ou qualquer outro objeto utilizado para penetração), pode ser utilizado também nos dedos quando utilizados para penetração. O preservativo interno é usado internamente na vagina ou no ânus. Nunca se podem usar os 2 preservativos em conjunto, pois o risco de rompimento é maior.

Para a proteção no sexo oral a uma pessoa com vulva, pode criar uma barreira oral através do corte de um preservativo externo. É um método mais económico e acessível (pode ser adquirido em centros de saúde gratuitamente).


DENTAL DAM 

Este método de proteção pode ser usado para cobrir a vulva ou ânus no sexo oral ou fricção genital. São folhas retangulares de látex. Podem ser adquiridas em sexshops ou através de algumas lojas online. Não se encontra disponível gratuitamente em Portugal.


LORALS

As Lorals for Protection são cuecas elásticas à base de látex, diminuindo o risco de transmissão de ISTs. Este método de proteção foi recentemente aprovado pela FDA, mas ainda não se encontra à venda em Portugal. Este método, assim como o que acontece com o preservativo ou dental dam, é de uso único.


VACINAÇÃO

Para a Hepatite B e HPV já existe vacinação há largos anos e que estão contempladas no Plano Nacional de Vacinação. No que toca à Hepatite B a melhor prevenção é através da vacina. Por outro lado, a vacinação contra o HPV é o método de prevenção que mais diminui o risco de desenvolvimento de cancro do colo do útero e condilomas, mas não protege contra todo o tipo de HPV. A vacina da hepatite A protege também quem faça sexo oro-anal.


PREP (PROFILAXIA PRÉ-EXPOSIÇÃO)

A Profilaxia Pré-Exposição é um método de prevenção contra a infecção pelo VIH antes de uma exposição a este vírus, por exemplo através de relação sexual de risco ou com pessoa(s) parceira(s) com VIH que não esteja(m) em tratamento. No fundo, a PrEP consiste na toma diária de um comprimido que possibilita que o organismo da pessoa esteja preparado caso exista um possível contacto com o VIH. A PrEP não protege contra outras ISTs e, portanto, é importante adotar outras terapêuticas para a sua prevenção. A PrEP só se torna eficaz caso a sua toma seja consistente diariamente.


PROFILAXIA PÓS-EXPOSIÇÃO (PPE)

A Profilaxia Pós-Exposição consiste no uso de medicação que reduz o risco de aquisição de VIH. Após um contacto de risco como, por exemplo, relações sexuais (especialmente penetrativas) desprotegidas ou violência sexual.

A PPE apenas está disponível em Serviços de Urgência de Hospitais, e deve ser iniciada o mais cedo possível após a relação sexual de risco (no máximo até 72h). É importante que a toma seja feita como foi receitada, pois caso contrário a terapêutica não surtirá efeito (28 dias).



No audiovisual, lembro-me da websérie "Me and Her(pes)", que é a única que conheço especificamente sobre este tema. Não tem legendas em português. É da Austrália, tem seis episódios e é bastante cómica.


E isto é o único de que me lembrei sobre saúde sexual sáfica. Provavelmente alguns episódios de "Sex Education" , do clássico "The L Word" e "South of Nowhere" abordarão saúde sexual também.


Fui à procura de mais referências e, da pesquisa que fiz para este post, cá vai o que encontrei:


E sem surpresa nenhuma, continuamos sem saber como anda a saúde sexual das mulheres sáficas em Portugal, visto que não temos estudos para isso, e foi encontrada muito mais informação vinda do Brasil. Não fosse o Brasil tínhamos muito pouco conteúdo em português sobre este tema.


Esta foi uma primeira pesquisa, que podem ajudar a completar nos comentários! 😊


Divirtam-se muito neste dia das Sãs Valentinas. Mas lembrem-se: "Nothing lasts forever. Except herpes", portanto cuidem-se. 😝










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