top of page
Buscar
  • Foto do escritor: Arquivo Sáfico
    Arquivo Sáfico
  • 21 de set. de 2018
  • 5 min de leitura

The L Word | 2004 - 2009 | 6T | 70E | Showtime | Criada por: Michele Abbott, Ilene Chaiken, Kathy Greenberg



Sinopse: "The L Word" acompanha as vidas e os amores de um grupo de lésbicas que vivem em Los Angeles. A personagem principal, Jenny (Mia Kirshner), é recém-formada pela Universidade de Chicago, e muda-se para LA para morar com seu namorado, Tim (Eric Mabius). A vida de Jenny dá uma reviravolta quando ela conhece as vizinhas Bette (Jennifer Beals) e Tina (Laurel Holloman), um casal que está prestes a dar o próximo passo e começar uma família, após estarem juntas há sete anos. Numa festa, Jenny encontra Marina (Karina Lombard), a dona de um café local e, de repente, começa a questionar a sua própria sexualidade. O resto do grupo inclui Dana (Erin Daniels), uma jogadora de ténis profissional, Alice (Leisha Hailey), uma jornalista, Shane (Katherine Moennig), cabeleireira que não perde uma oportunidade para conquistar mais uma mulher, e Kit (Pam Grier), meia-irmã de Bette que luta contra o alcoolismo.



Um clássico das séries lésbicas, que provavelmente a maioria das "filhas de sappho" conhecerá e já terá visto. Estreou em 2004 e teve 6 temporadas, tendo acabado em 2009 com um total de 70 episódios. Um verdadeiro marco na representatividade lésbica, numa altura em que provavelmente não havia mais nada do género.


Passou na televisão portuguesa, inclusive recordei-me agora de ouvir uma amiga a contar que a prima (heterossexual) via na altura em que começou a passar e a mãe tendo-se deparado com tal cenário perguntou horrorizada "que estás tu para ai a ver??" ao qual obteve a simples resposta: "lésbicas." 😂


Apesar de ter ouvido falar antes, só vi esta série no meu primeiro ano de faculdade (2013), na sala de minha casa com o computador virado para a parede, sempre com o cuidado de a minha mãe (ao contrário da mãe da prima da minha amiga) ou qualquer outro familiar não se deparar com o mesmo cenário.  😔


É claro que ninguém gosta de ver filmes/séries que possa conter qualquer cena sexual à frente dos pais, mas quando se trata de séries/filmes LGBT, mesmo que todas as cenas sejam completamente inocentes, há sempre aquele receio de sermos "apanhados" quando ainda estamos no "armário" e por vezes mesmo depois de lá termos saído. Por medo de incompreensão ou, por vezes, consequências bem mais graves como acontece a alguns jovens que são expulsos de casa devido à homofobia dos pais.



Tendo visto a série já há alguns aninhos, recordo-me de muito pouco. Lembro-me de não ter gostado da última temporada, nem de ter gostado da maneira como foram "evoluindo" a personagem Jenny que era a minha preferida na 1ª temporada e que acabou por se tornar insuportável. Lembro-me que nos primeiros tempos aparecia sempre uma cena antes da intro em que estava presente uma crítica social, cenas de grande qualidade e importância que acabaram por desaparecer. Lembro-me de não perceber porque é que "toda a gente" tinha uma crush na Shane e de achar que a representatividade bissexual da série deixava muito a desejar... Nomeadamente no que toca às personagens Jenny, Tina e Alice. 


Alice, que seria a única personagem assumidamente bissexual desde início, acabou a série a dizer que era lésbica em pleno tribunal, não sem antes ter proferido uma série de comentários bifóbicos ao longo da temporada. Tina, que antes de conhecer Bette tinha-se relacionado exclusivamente com homens, passou a ser lésbica quando começou a sua relação com Bette (o que poderia acontecer caso não soubesse que era lésbica antes e se relacionasse com homens apenas por pressão social), tendo voltado a relacionar-se com homens quando a relação das duas terminou mas identificando-se, ainda assim, enquanto lésbica (isto é que eu já não percebi...). A bissexualidade foi adjectivada várias vezes ao longo da série como algo "confuso", "inexistente" e até "nojento", inclusive pela própria Alice.  


A representação transexual também deixou muito a desejar. Max, homem trans, antes da transição era um homem hetero (percecionado enquanto mulher lésbica), depois da transição passa a ser um homem gay, para mostrar o que ele gostava era mesmo de pessoas do mesmo sexo, tendo generalizado tal conclusão a que ele chegou a todas as pessoas trans. Pode acontecer que pessoas trans venham efetivamente a descobrir mais tarde que se sentem atraídas por outros géneros que antes não sabiam.  Mas daí a generalizar porque "se o que gostas é do mesmo sexo passas de gostar de homens em vez de mulheres quando te assumes enquanto homem trans" é que já não me faz sentido, Ao longo da sua presença na série também foi apelidado de confuso, visto como traidor (pela Kit?), entre outras transfobias. A Alice, numa das suas buscas por um homem, depara-se com uma pessoa que disse ser uma mulher trans lésbica e continua a tratá-la como se fosse um homem, tendo inclusive pressionado para que deixassem o dildo de lado uma vez que ela tinha a "the real thing", algo a que a personagem trans se tinha recusado mas ainda assim Alice achou-se no direito de não atender à vontade manifestada. Abuso sexual?! A personagem que se identificava enquanto trans foi uma completa caricatura para efeitos humorísticos, não lhe tendo sido dada qualquer credibilidade.



É uma questão para aqueles debates em que se discute: o que é pior, não haver representação de todo ou haver má representação? 


A qualidade da série foi realmente diminuindo ao longo das temporadas, mas feitas as contas, o balanço acaba por ser positivo, dada a visibilidade que alcançou e todas as barreiras que foi quebrando, sendo também é um bom entretenimento. Tendo em conta a época, toda a representação foi pioneira e possibilitou a que, pelo menos, conhecêssemos a existência de pessoas LGBT e a que pudéssemos começar a refletir sobre estas questões.


Espero que no revival corrijam as más representações da primeira série, que não seriam admissíveis na atualidade, tendo em conta a maior informação e consciência que, felizmente, fomos desenvolvendo.



É verdade, The L Word vai oficialmente voltar!

 

As primeiras notícias da realização de um reboot por parte do canal Showtime, surgiram em 2017, confirmando que trariam de volta Bette, Shane e Alice (não havendo confirmação, na altura, de mais personagens a voltar da série antiga).


Falou-se na possibilidade de ignorar a última temporada, devido ao desagrado dos fãs com a mesma, e de iniciar o reboot após a penúltima temporada, portanto. Falou-se, também, na importância em mostrar as diferenças entre a geração atual e a antiga.


Prevê-se que a estreia ocorra em finais de 2019 e, em jeito de sinopse, que as antigas personagens que regressaram para este revival vão contracenar junto a uma nova geração de personagens LGBTQI, passando por experiências amorosas, desgostos, sexo, obstáculos e sucessos em Los Angeles.



Para quem viu, que acharam da série? Concordam ou discordam do que escrevi? 

Que acham do regresso de The L Word e que esperam deste revival? 🙂


Also, quem era a vossa crush de The L Word? 😝

A minha era a Helena 🤷‍♀️



 
 
 
  • Foto do escritor: Arquivo Sáfico
    Arquivo Sáfico
  • 21 de set. de 2018
  • 2 min de leitura

Título original: If These Walls Could Talk 2

Ano: 2000

Realizadoras: Jane Anderson (Segmento de 1961); Martha Coolidge (Segmento de 1972); Anne Heche (Segmento de 2000);

Género: Drama, Romance

País: EUA

IMDB 💖


Sinopse: Três histórias protagonizadas por mulheres lésbicas que acontecem na mesma casa, em períodos diferentes.


No segmento de 1961, Abby (Marian Seldes) morre de derrame e Edith (Vanessa Redgrave), que foi sua companheira por 50 anos, tem de enfrentar a perda silenciosamente e, também, o facto de não ser considerada da família, tanto pelo hospital quanto pelos herdeiros de Abby. 


No segmento de 1972, Linda (Michelle Williams) é expulsa juntamente com outras três amigas de um grupo feminista da faculdade, pelo fato das quatro serem lésbicas. Tentando esquecer o problema, as amigas vão para o único bar lésbico na cidade, onde Linda conhece Amy (Chloë Sevigny), por quem acaba por se apaixonar, apesar da desaprovação das suas amigas, que a consideram "demasiado masculina". 


No segmento de 2000, Fran (Sharon Stone) e Kal (Ellen DeGeneres) são um casal que quer ter um filho. Vão a um banco de esperma na esperança de encontrar um dador e enfrentam uma série de obstáculos para ver o seu sonho realizado.

Um dos meus filmes sáficos preferidos. Retrata várias realidades nos diferentes segmentos, todas elas de uma grande importância. O não reconhecimento dos casais de mulheres por parte da família e, no período em questão (que em alguns países ainda é o período atual...), também sem reconhecimento legal e sem proteção da cônjuge sobreviva; o preconceito por parte de outros grupos que defendem a não discriminação mas também discriminam... (neste caso por parte do grupo feminista da faculdade que não aceita mulheres lésbicas) e o preconceito dentro da própria comunidade lésbica (neste caso, em relação a "lésbicas butch"); e a preferência por casais heterossexuais no processo de adoção e as opções como a inseminação.


Vou deixar-vos uma foto da personagem interpretada pela Chloë Sevigny só porque sim... 😍😅 





PS: O filme que o casal do primeiro segmento está a ver no cinema é o "The Children's Hour / A Infame Mentira".

 
 
 
  • Foto do escritor: Arquivo Sáfico
    Arquivo Sáfico
  • 15 de set. de 2018
  • 2 min de leitura




Título: Carol

Ano: 2015

País: EUA, Reino Unido, Austrália

Género: Drama, Romance

Realização: Todd Haynes

Escrita: Phyllis Nagy (roteiro), Patricia Highsmith (Romance)


Sinopse:

Therese trabalha numa loja em Manhattan. Quando conhece Carol, uma mulher sedutora presa a um casamento fracassado, surge uma ligação entre ambas e acabam por se envolver. A relação das duas é descoberta e o marido de Carol retalia, pondo em causa a sua competência como mãe. Carol e Therese fazem-se à estrada, deixando para trás as suas respetivas vidas. Um confronto vai colocar à prova as convicções de cada mulher sobre si mesma e o compromisso para com a outra."


Considerado por muitas o melhor filme lésbico de sempre, assumo uma opinião minoritária em que confesso que estava à espera de mais. Foi um dos filmes sáficos mais divulgados de sempre, a par com o La Vie d'Adèle. Muito se falou deste filme, tendo-se afirmado até que seria o "Brokeback Mountain" lésbico, e assim que saiu nos cinemas lá fui eu feliz e contente ao El Corte Inglés (provavelmente a uma terça-feira, para aproveitar o desconto Yorn 😂), cheia de expetativas.

Foram expectativas a mais... Prometeram-me um Brokeback Mountain lésbico e não me parece que tenham cumprido. A química entre as personagens não me convenceu e as dinâmicas de poder na relação pareceram-me algo problemáticas. Fiquei com a sensação de que a Therese era uma jovem inexperiente que vê uma mulher mais velha e mais madura que a atrai e à volta de quem começa a rotacionar, mas não percebi bem se a Carol gostava efetivamente da Therese ou se simplesmente achou piada à atração e gostou mais da atenção que teve da mais jovem, que a fez sentir no controlo da sua vida novamente, por poder controlá-la a ela.


A Therese aborreceu-me, personagem demasiado apagada e algo distante, não criticando a atuação de Rooney Mara que esteve ótima. A Carol irritou-me, apesar de estar deslumbrante e da atuação da Cate Blanchett estar perfeita. O ritmo do filme em si também não me agradou, mas não sei explicar bem porquê... acho que o desenrolar da relação das duas poderia ter sido melhor construída. 🤔Por vezes, deu a sensação de que não aprofundaram mais para não ferir suscetibilidades. No final, ficou a sensação de que faltou mesmo alguma coisa.


É possível que se o vir uma 2ª vez goste mais e tenha uma opinião do filme melhor do que a que tenho agora. Coisas boas, desde já... a fotografia, visualmente deslumbrante, elenco de renome e atuações excelentes, apesar de achar que houve falta de química/proximidade entre as personagens, talvez por imposição e não por falta de talento em criá-la.


De qualquer maneira, fico muito contente com a existência deste filme, com a divulgação que dele foi feita, com o orçamento disponibilizado, com a excelente qualidade da produção e das atuações, com os nomes sonantes, a fotografia incrível, com a forma como foi recebido pela crítica e pelo público e com a quantidade de prémios e nomeações que recebeu. Um marco importante no "cinema lésbico/sáfico" e na representatividade/visibilidade da comunidade lésbica/bissexual.

 
 
 
Publicações: Blog2

© 2018 - 2026 por Arquivo Sáfico.

bottom of page