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  • Foto do escritor: Arquivo Sáfico
    Arquivo Sáfico
  • 14 de fev.
  • 7 min de leitura

Neste chamado dia de São Valentim, achei que faria todo o sentido falar sobre relações sáficas e saúde mental e sexual. Ênfase na saúde sexual, que no final do post deixo-vos uma compilação sobre este tema.


O Dia do Amor pode ser uma bonita celebração, um dia como outro qualquer, ou um grande triggering. Estamos habituadas a ver nos filmes que é muito importante não estar sozinha nesta data (credo, antes só que mal acompanhada). Acho que é uma coisa que acontece mais nos EUA, mas que os filmes também trazem para cá.


Estamos habituadas a que, se estamos numa relação, temos de “obrigatoriamente” fazer algo naquele dia, e se não estamos, poderá surgir alguma memória de relações passadas, algum desejo de relações futuras, alguma solidão sentida. Ou não…


Também acontece uma coisa “engraçada” que faz parecer que não podemos combinar alguma coisa com alguém nesta data, só porque calhou, sem dar azo a interpretações.


Não me interpretem mal, eu adoro uma desculpa para celebrar. E apesar de toda a vertente comercial e capitalista que advém deste dia, sou apologista de se celebrar o Dia do Amor, seja com namorades, afetos, amizades, familiares, ou pessoas no geral a quem se queira lembrar que é um belo dia para amar (este e os outros). E não é preciso grandes gastos para assinalar a data.


Eu quando estou numa relação gosto de celebrá-la, de preferência em casa, para evitar a confusão de gente, mas também já fui jantar fora. E gosto de receber e dar prendas e acho uma bela desculpa para tal. 🤷‍♀️ Quanto não estou, se me lembrar, gosto de assinalar também, seja com uma lembracinha, seja com palavras de apreço pelas pessoas de quem gosto. Houve um ano em que decidi oferecer um marcador de livros a váries amigues, por exemplo.


No entanto, também já reparei que vários casais só vão jantar a um restaurante porque é “Dia dos namorados” e pela discussão parece que queriam estar em qualquer outro lado menos ali, e muito menos juntes. Fará sentido? Forçarmo-nos a algo só porque a sociedade decidiu que é aquilo que se deve fazer naquele dia? Eu acho que não… Logo, reitero que acho que é uma excelente desculpa para celebrar, mas apenas se e com quem fizer sentido. Pode haver anos em que faça, pode haver anos em que não. E até pode estar tudo bem e fazer todo o sentido, e simplesmente não se ter disposição. E a celebração, em qualquer dia se faz se se quiser. Celebrar ou não o dia de hoje não diz nada sobre as nossas relações.


Porque é que há tantos casais (mas talvez mais heterossexuais?) que se chateiam se não for feita reserva no restaurante xpto, se houve esquecimento da data, se não foi planeado nada, se até foi mas houve atrasos, se as filas estavam gigantes, se a prenda não era a esperada, etc, etc, etc.


E como anda a aceitação das nossas relações perante a família, amigues, sociedade? Será que podemos vivenciar este dia de forma livre? Será que podemos apresentar a namorada à família? Será que podemos andar de mãos dadas na rua livremente, sem levarmos com olhares, comentários, ameaças? Algumas poderão, outras não. Portanto, para além de toda a pressão que qualquer pessoa pode levar num dia destes, as pessoas LGBTQIA+ poderão ter uma pressão muito maior e levar com ainda mais preconceito neste dia.


Será que toda esta pressão faz bem à saúde? Como anda a saúde das mulheres lésbicas/sáficas? Neste e nos outros dias? E as mulheres sáficas que vão ter relações sexuais neste e nos outros dias, sabem proteger a sua saúde sexual?


Tudo o mencionado acima, principalmente em situações de não aceitação por parte da família ou das pessoas à nossa volta, tem o seu impacto na saúde mental. Mas este post é, principalmente, sobre saúde sexual.


É muito raro nas aulas de educação sexual nas escolas falar-se de métodos de prevenção de ISTs num âmbito de relações entre mulheres e pessoas sáficas. É muito raro ver-se na mídia algo sobre o assunto. É muito raro ver publicações sobre o tema em Portugal.


A primeira grande referência em Portugal será, talvez, a brochura "Saúde Sexual" do projeto "Lés + Saúde" do Clube Safo. Este importante projeto tem mais duas brochuras para além desta: "Maternidade Lésbica" e "Acesso à Saúde".


Na página 28 desta brochura, podemos ver alguns cuidados de saúde sexual a ter:

PRESERVATIVOS INTERNOS E EXTERNOS

O preservativo externo é usado externamente no pénis ou para a partilha de objetos sexuais (como dildos, vibradores, cenouras ou qualquer outro objeto utilizado para penetração), pode ser utilizado também nos dedos quando utilizados para penetração. O preservativo interno é usado internamente na vagina ou no ânus. Nunca se podem usar os 2 preservativos em conjunto, pois o risco de rompimento é maior.

Para a proteção no sexo oral a uma pessoa com vulva, pode criar uma barreira oral através do corte de um preservativo externo. É um método mais económico e acessível (pode ser adquirido em centros de saúde gratuitamente).


DENTAL DAM 

Este método de proteção pode ser usado para cobrir a vulva ou ânus no sexo oral ou fricção genital. São folhas retangulares de látex. Podem ser adquiridas em sexshops ou através de algumas lojas online. Não se encontra disponível gratuitamente em Portugal.


LORALS

As Lorals for Protection são cuecas elásticas à base de látex, diminuindo o risco de transmissão de ISTs. Este método de proteção foi recentemente aprovado pela FDA, mas ainda não se encontra à venda em Portugal. Este método, assim como o que acontece com o preservativo ou dental dam, é de uso único.


VACINAÇÃO

Para a Hepatite B e HPV já existe vacinação há largos anos e que estão contempladas no Plano Nacional de Vacinação. No que toca à Hepatite B a melhor prevenção é através da vacina. Por outro lado, a vacinação contra o HPV é o método de prevenção que mais diminui o risco de desenvolvimento de cancro do colo do útero e condilomas, mas não protege contra todo o tipo de HPV. A vacina da hepatite A protege também quem faça sexo oro-anal.


PREP (PROFILAXIA PRÉ-EXPOSIÇÃO)

A Profilaxia Pré-Exposição é um método de prevenção contra a infecção pelo VIH antes de uma exposição a este vírus, por exemplo através de relação sexual de risco ou com pessoa(s) parceira(s) com VIH que não esteja(m) em tratamento. No fundo, a PrEP consiste na toma diária de um comprimido que possibilita que o organismo da pessoa esteja preparado caso exista um possível contacto com o VIH. A PrEP não protege contra outras ISTs e, portanto, é importante adotar outras terapêuticas para a sua prevenção. A PrEP só se torna eficaz caso a sua toma seja consistente diariamente.


PROFILAXIA PÓS-EXPOSIÇÃO (PPE)

A Profilaxia Pós-Exposição consiste no uso de medicação que reduz o risco de aquisição de VIH. Após um contacto de risco como, por exemplo, relações sexuais (especialmente penetrativas) desprotegidas ou violência sexual.

A PPE apenas está disponível em Serviços de Urgência de Hospitais, e deve ser iniciada o mais cedo possível após a relação sexual de risco (no máximo até 72h). É importante que a toma seja feita como foi receitada, pois caso contrário a terapêutica não surtirá efeito (28 dias).



No audiovisual, lembro-me da websérie "Me and Her(pes)", que é a única que conheço especificamente sobre este tema. Não tem legendas em português. É da Austrália, tem seis episódios e é bastante cómica.


E isto é o único de que me lembrei sobre saúde sexual sáfica. Provavelmente alguns episódios de "Sex Education" , do clássico "The L Word" e "South of Nowhere" abordarão saúde sexual também.


Fui à procura de mais referências e, da pesquisa que fiz para este post, cá vai o que encontrei:


E sem surpresa nenhuma, continuamos sem saber como anda a saúde sexual das mulheres sáficas em Portugal, visto que não temos estudos para isso, e foi encontrada muito mais informação vinda do Brasil. Não fosse o Brasil tínhamos muito pouco conteúdo em português sobre este tema.


Esta foi uma primeira pesquisa, que podem ajudar a completar nos comentários! 😊


Divirtam-se muito neste dia das Sãs Valentinas. Mas lembrem-se: "Nothing lasts forever. Except herpes", portanto cuidem-se. 😝






PS: Sabiam que hoje também é dia da doação de livros? E que fiz voluntariado no CDOC - Centro de Documentação Gonçalo Diniz, da Associação ILGA Portugal? Hoje também é um belo dia para vos dizer para doarem livros LGBTQIA+ ao CDOC!






 
 
 
  • Foto do escritor: Arquivo Sáfico
    Arquivo Sáfico
  • 8 de fev.
  • 6 min de leitura

No primeiro post de fevereiro dou por encerrado o "ano novo", para passar ao "ano corrente". Mas só no fim do post. Porque até lá, isto ainda é sobre 2025.


Portanto, neste último post sobre 2025, e uma vez que já falei dos filmes que andei a ver no ano anterior, deixo-vos agora os livros que andei a ler. Tinha planeado isto para o último de janeiro, mas as Rebel Dykes chamaram por mim e troquei.


A fazer esta retrospectiva pelo storygraph percebi, sem surpresa nenhuma (para mim), que ando a usar livros como escape, optando por coisas mais leves que deixem de certa forma descansar a cabeça de coisas mais pesadas (e pelos vistos, tenho panca por livros com "fake dating"). E então, tenho de me lembrar neste ano de ler mais não ficção e mais livros que quero muito ler há muito tempo, mas que têm ficado para trás, trocados pelos romances que vão aparecer abaixo. Aceito recomendações (mas na verdade já tenho vários comprados à minha espera)!


Também é engraçado e um tantinho assustador recordar os meus hiperfocos em determinados livros e determinadas autoras e ver quais li de uma assentada.


Deu, ainda, para ver que andei a ler muito mais ebooks do que livros físicos e que também muito pela praticidade que é ler no telemóvel que anda sempre comigo, tenho deixado os livros físicos para trás, o que também quero reverter. Recomecei a ler o "Essa Dama Bate Búe" este ano (tinha começado em agosto mas parei over situationship gone wrong). No entanto, como tem estado a chover, e tenho medo de o levar comigo e que se molhe, virei-me novamente para os ebooks e o primeiro livro do ano foi o "A Guardiã" (versão ebook), que vai ter sessão do Clube de Leitura das BLX no dia 24 de fevereiro, na Biblioteca Orlando Ribeiro.


Mas voltando aos livros lidos em 2025...


Storygraph, storygraph meu, que livros andei a ler eu?


Por norma tenho sempre o objetivo mínimo de ler 12 livros (pelo menos um por mês). A app diz-me que o ano passado li 35:


  • [14/01] Tinha tudo para dar errado, G.B. Baldassari

  • [15/01 a 16/01] AMOR FATI, G.B. Baldassari

  • [16/01] UMA PITADA DE SORTE, G.B. Baldassari (Claramente hiperfoquei nos livros das G.B. Baldassari)

  • [31/01] The Princess and the Grilled Cheese Sandwich, Deya Muniz

  • [31/02 a 04/02] Pink Lemonade, G.B. Baldassari (e voltou...)

  • [06/02 a 08/02] I Think I Love You, Auriane Desombre

  • [06/02 a 13/02] As regras do jogo, Arquelana

  • [13/03 a 15/03] A Garota do Topo, Helena Nolasco

  • [15/03 a 16/03] A melhor amiga da noiva, Lívia Medeiros

  • [19/03 a 20/03] Debaixo Do Meu Chapéu, Maria Freitas (Para quem leu o post dos filmes, acho que era neste livro que estava a pensar quando falei do filme "Nova & Alice", mas o plot nem é tão parecido assim...)

  • [03/04 a 04/04] Melhor que inimigas, Pris Santiago

  • [05/04 a 07/04] Marriage of Unconvenience, Chelsea M. Cameron

  • [14/04 a 18/04] Eu que não amo você, Maria Freitas e Kah NS

  • [15/04 a 18/04] Cada seis meses, Clara Duarte

  • [16/05 a 18/05] Uma Namorada para o Natal, Olivia Ayres (estou a rir muito por ter lido um livro de Natal em maio 😅)

  • [19/05 a 21/05] Unstoppable You, Chelsea, M. Cameron

  • [22/05 a 23/05] Unlikely You, Chelsea M. Cameron

  • [24/05 a 06/06] Unforgettable You, Chelsea M. Cameron

  • [06/06 a 08/06] Conectadas, Clara Alves (Estou a rir agora da pausa no SMUT para ler um livro infanto-juvenil, muito fofo por sinal)


Bem, destes 35 livros, os únicos que me lembro de pensar "Quero mesmo ler este" e dos quais tenho mais memória, foram os seguintes:


  • The Princess and the Grilled Cheese Sandwich/A Princesa e a Tosta de Queijo, Deya Muniz - Já tinha visto online, e achei piada ao título, mas acho que foi só depois de ter ouvido falar dele num evento no Centro LGBTI que fui procurar para ler.

  • Cada seis meses, da Clara Duarte (ES) - Como assim, um livro sáfico sobre uma pessoa que só vive durante seis meses por ano?

  • Atmosfera, da Taylor Jenkins Reid - Adorei "Os Sete Maridos de Evelyn Hugo" e quis ler este, da mesma autora, até pela temática do livro me lembrar muito da Sally Ride.

  • Pardalita, da Joana Estrela - Como assim, uma bd sáfica portuguesa?

  • A Homossexualidade Feminina, de Teresa Castro d'Aire - Este já tinha lido partes e já tinha mencionado no blog, foi aqui que vi a história da mulher que "ficou lésbica depois de uma anestesia" ao olhar para a enfermeira 😅. Finalmente lá o li todo. Relatos interessantes das lésbicas portuguesas, com entrevistas publicadas em 1996.

  •  Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, da Taylor Jenkins Reid - Este foi uma releitura. Gosto muito deste livro. Queria ter relido mais cedo. Hei de reler novamente.

  • Manual de ghosting para principiantes, da Clara Duarte (ES) - Como assim um livro sáfico sobre "ghosting" literalmente? Li-te-ral-mente! Em que uma das protagonistas morre no prédio da outra depois de uma one night stand ao cair das escadas enquanto roubava a thermomix e lá fica a assombrá-la???? 😂 Esperei muito muito por este livro e achei muito engraçado!

  • Strap In, da Lou Morgan - Já nem me lembro bem do livro, mas adoro puns (trocadilhos) e double meanings e um livro chamado Strap In com advogadas como protagonistas (eu estudei direito) foi feito para ser lido 😅

  • Make My Wish Come True, Rachael Lippincott e Alyson Derrick - Queria ler livros sáficos de Natal nesta altura (E tinha feito a tertúlia no dia 29/11), e este é das mesmas autoras do "She Gets the Girl/Ela fica com ela" que também já tinha lido.

  • Princess Princess Ever After, K. O'Neill - É um livro de bd infantil muito curtinho e muito fofo que quis ler depois de descobrir que havia uma versão sáfica do jogo "Love Letter" com as personagens deste livro, que não conhecia antes.

  • Make the Season Bright, Ashley Herring Blake - Outro livro de Natal que quis ler, da mesma autora de um livro que gosto muito que é o "Delilah Green Doesn't Care".

  • Where There's Room For Us, Hayley Kiyoko - Da nossa Lesbian Jesus



Quanto aos restantes, o de Rafa Jacinto foi emprestado. Os outros li mais por acaso. Aparecia um nalgum post das redes sociais e eu pensava "tem ebook barato? vou ler" e, por vezes, depois ia ler mais da mesma autora. Já não me lembro bem deles, logo não devo ter adorado nenhum, mas devo ter gostado de todos. O Conectadas foi fofo e já falei dele antes, o pink lemonade lembro-me que estava a gostar de ler até acontecer qualquer coisa que já não gostei tanto, mas já não me lembro o que foi 😅 (adhd) Tinha de ir reler as sinopses para avivar a memória, mas não deu. Os únicos livros que me lembro de não ter gostado de ler em 2025 não aparecem nesta lista, porque não os acabei e foram abandonados, que são "A pior das boas ideias" e o "Hotshot".



Finalizada a lista, termino assim este post, ainda no sábado, mas por pouco. Até à próxima semana!




PS: No Domingo (que está quase), tudo a votar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (menos quem não puder mesmo, como nas zonas afetadas pela tempestade)

PPS: Se puderem, ajudem! Existem muitos locais de recolha de bens e informações para doações e voluntariado.



 
 
 
  • Foto do escritor: Arquivo Sáfico
    Arquivo Sáfico
  • 1 de fev.
  • 5 min de leitura

No dia 29 de Janeiro de 2026 celebrou-se o 1.º International Rebel Dykes Day. Em Portugal seria o equivalente a Dia das Fufas Rebeldes, mas também há quem use Dia das Lésbicas Rebeldes.


A data escolhida marca a abertura do legendário club dyke fetichista "Chain Reaction", a 29 de janeiro de 1987 (Londres). Siobhan Fahey, produtora do documentário "Rebel Dykes" e fundadora da "Riot Productions", atribuiu ao Chain Reaction o mérito de ter proporcionado às lésbicas um local para se reunirem e formarem uma comunidade.


As Rebel Dykes lançaram o desafio na sua página do instagram, a dia 29 de janeiro de 2025, de criar e celebrar o International Rebel Dykes Day pela primeira vez em 2026, que é sobre celebrar a história das dykes e das Rebel Dykes em todos os lugares e sobre o que já está a acontecer com as dykes ao redor do mundo: os passeios de moto, os clubes, os protestos, a arte, a música, o caos, a alegria.


Portugal aceitou este desafio, através da Associação ILGA Portugal, que no dia 29 de Janeiro de 2026 exibiu o documentário "Rebel Dykes" no Centro LGBTI+, como parte da programação oficial deste dia. Na programação partilhada pela página das Rebel Dykes estão incluídos eventos em 5 países: Reino Unido, Tailândia, Escócia, Portugal e Bulgária.


No post conjunto da @ilgaportugal e @rebeldykes podemos ler que o International Rebel Dykes Day é um novo dia global para celebrar a história, a cultura, a resistência, a alegria - e a rebeldia dyke, e também temos as seguintes respostas:

O que é o International Rebel Dykes Day?


Uma celebração global das Rebel Dykes - passado, presente e futuro. Um dia para homenagear comunidades dykes que criaram cultura, ocuparam espaços e se recusaram a comportar-se.


Por que criar esse dia agora?


Porque a história dyke está a ser redescoberta, reativada e reinventada no mundo todo. Isto não é nostalgia - é um movimento vivo e em crescimento.


Por que 29 de janeiro?


29 de janeiro marca o aniversário da primeira noite noite do clube Chain Reaction quando dykes ocuparam espaço de forma barulhenta, orgulhosa e sem pedir permissão.


O que foi o Chain Reaction?


Um lendário clube fetichista dyke em Londres que se tornou uma faísca cultural. DIY (Do it yourself/ faça você mesme), político, teatral alegre - e formador de comunidade antes mesmo de existirem palavras para isso.


Quem são as Rebel Dykes?


Não são um estereótipo - são comunidades. Punks, bikers, butches, femmes, artistas, ativistas, trabalhadoras do sexo, organizadoras, lutadoras. Criaram cultura onde nada havia sido oferecido. E continuam aqui.


Um Renascimento Dyke Global


No mundo inteiro, dykes estão criando festas, Dyke Marches, arquivos, zines e novas cenas culturais. É global. DIY. Intergeracional. Político. Alegre. E está longe de acabar.


O que é o filme REBEL DYKES?


Um documentário premiado de 2021, dirigido por Harri Shanahan e Siân A. Williams, que conta a história do Chain Reaction, do movimento Rebel Dykes e do seu impacto duradouro. O filme está disponível para streaming em todo o mundo (veja o link na bio do Instagram @rebeldykes).



O post, de 23 de janeiro, também explica como apoiar o International Rebel Dykes Day 2026, através da partilha, da organização de eventos, do apoio a artistas, arquivos e espaços dykes, do uso da hashtag #internationalrebeldykesday e do planeamento de algo ainda maior para o próximo ano!


Fui ver o documentário ao Centro LGBTI+ e foi espetacular! O Centro estava cheio. As histórias que vimos são incríveis e dão-nos uma série de referências de pessoas, eventos, protestos, locais, zines, músicas, tudo à volta deste movimento.


Deixo aqui uma lista com algumas dessas referências:


Músicas:

  • I Hate Being in Love (Amy And The Angels)

  • He Called Me A Fat Pig (The Renees)

  • Life-No (the Petticoats)

  • Statement (The Poinson Girls)

  • Drink Problem (The Gymslips)

  • Rainforest (Strange Language)

  • Genocide (Sluts from Outer Space)

  • That's Why (Mouth Almighty)

  • Sister George (Sister George)

  • Queer Riot (Sluts from Outer Space)

  • Primal Bond (Tapanda Re)

  • Soray (Tapanda Re)

  • Wrapped Up in Sex (Mouth Almighty)

  • Rococo Subversive (Sister George)

  • Nicolette The Gigolette (The Darlings)

  • Riot In My Mind (The Poison Girls)

  • Handle Bar/Drag King (Sister George)

  • No Love Lost (Mouth Almighty)

  • Virus Envy (Sister George)

  • News Bong (John Tatlock)

  • Trouble (The Well Oiled Sisters)

  • Dive In Me (Nightnurse)

  • I Ride (Ran Shahi e Ellyott)

  • Baby's Been Sleeping in the Knifedrawer (The Brendas)

  • Dreams (The Petticoats)

  • Remember Me (Mouth Almighty)

  • Skirt (Nightnurse e Charley Stone)


Revistas/Livros:

  • Quim (Revista)

  • Love Bites (Livro fotográfico)

  • The Joy of Lesbian Sex (Livro)

  • On Our Backs (Revista)


Locais/Serviços:

  • Chain Reaction (S&M Club, Market Tavern in Vauxhall, Londres)

  • Greenham Common Women's Peace Camp (1981 - 2000)

  • Lesbian Line (Para onde ligaram a pedir informações, como por exemplo quais eram os bares lésbicos de Londres)

  • South London Women's Centre (Brixton)

  • Gateways (Club lésbico secreto, criado nos anos 50)

  • Kenric Society  (Bar/Club Lésbico)

  • The Bell (Bar/Club Lésbico)

  • Fabrik (Centro Cultural, Hamburgo, Alemanha)

  • Extasy (club na Finlândia)

  • Good Vibrations (Sexshop)

  • Sh! (Sexshop)

  • Thrilling Bits (Serviço clandestino de venda de Sextoys)

  • Silver Moon Women's Bookshop

  • Sisterwrite (Livraria)

  • Gay's The Word (Livraria LGBTI+ mais antiga do Reino Unido)

  • Switchboard Support Line

  • Friend Support Line

  • London Friend (A instituição de solidariedade LGBTI+ mais antiga do Reino Unido).


Coletivos/grupos:

  • Sistermatic (Duo Sound system)

  • Black Widows (Grupo de Motards Lésbicas)

  • The Sleeze Sisters (Grupo Musical)

  • Mouth Almighty (banda)

  • Rennes (banda)

  • Sluts from outer space (banda)

  • WAVAW (Women Against Violence Against Women) (Grupo de mulheres contra as Rebel Dykes da cena S&M)

  • The Stonewall Group

  • Act Up - AIDS Coalition to Unleash Power


Mulheres/Pessoas entrevistadas:

  • Debbie Smith

  • Karen Fisch

  • Atalanta Kernick

  • Maj Ikle

  • Susannah Bowyer

  • Roz Kaveney

  • Aphra

  • Jo

  • Seija Hirstio

  • Siobhan

  • Yvonne Taylor

  • Pom

  • Trill

  • Poulomi Usurp Desai

  • Rosanne Rabinowitz

  • Baya

  • Seija

  • Del La Grace Volcano 

  • Lulu Belliveau

  • Lisa Power

  • Billy

  • Sophie

  • Jim McSweenwy


Ações/Protestos:

  • Marcha contra a censura do Livro Love Bites

  • Names Project, na marcha de Washington 87'

  • Marchas contra a "Section 28"

  • Invasão a um debate na House of Lords

  • Invasão da "Six O'Clock News" na BBC




Se derem conta de algo que esteja a faltar nas listas acima, informem!


A certa altura do documentário foi mencionada uma "Lesbian Line" para onde ligavam para saber onde eram os bares lésbicos em Londres. Em Portugal nem bares lésbicos, quanto mais uma linha telefónica para informar dos mesmos. Ou será que há mas como não há linha lésbica, não sabemos quais são? 😭😅


E desse lado? Viram o documentário? Que acharam? Que gostaram mais de descobrir? Deixem as vossas respostas nos comentários! 😁





PS: Sabiam que a nossa primeira zine lésbica, a "Organa", também tinha um serviço de venda de sextoys e outros produtos lésbicos (livros, filmes, etc.) ??



 
 
 
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